Derrota de Trump no Congresso dos EUA ameaça apoio financeiro a Javier Milei

Avanço dos democratas pode ampliar investigações sobre acordo de US$ 20 bilhões entre Washington e Buenos Aires e dificultar novos socorros à Argentina

Javier Milei
Foto: Agência Brasil

O resultado das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos pode trazer consequências para a economia argentina. A perda de espaço dos republicanos no Congresso abre caminho para uma fiscalização mais rigorosa sobre o apoio financeiro concedido pelo governo de Donald Trump à administração de Javier Milei, especialmente o acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões firmado em 2025.

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A operação, realizada entre o Tesouro norte-americano e o Banco Central argentino, é considerada uma das principais ferramentas de proteção financeira do governo de Milei diante de possíveis crises cambiais. Com o fortalecimento da oposição democrata, porém, o mecanismo poderá enfrentar questionamentos e obstáculos políticos para ser mantido ou renovado.

A análise foi publicada pela Sputnik Brasil nesta quinta-feira (5), com base em avaliações de especialistas sobre os reflexos do resultado eleitoral nas relações entre os dois países.

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Acordo de US$ 20 bilhões entra na mira dos democratas

O mecanismo de troca de moedas foi anunciado em outubro de 2025, durante a campanha legislativa argentina. Na ocasião, o Tesouro dos Estados Unidos, sob comando de Scott Bessent, disponibilizou uma linha de US$ 20 bilhões ao Banco Central da Argentina.

Buenos Aires chegou a utilizar US$ 2,5 bilhões do valor, mas devolveu os recursos em dezembro daquele ano. Mesmo após a quitação, o acordo continuou vigente, permitindo que o país recorresse à linha de financiamento diante de dificuldades no mercado de câmbio.

A operação já era alvo de críticas de parlamentares democratas. Antes mesmo da mudança na composição do Congresso, 36 deputados do partido haviam cobrado explicações de Bessent sobre os riscos e os custos do apoio financeiro.

A senadora Elizabeth Warren, integrante do Comitê Bancário do Senado e uma das principais vozes da oposição no tema, também pediu o encerramento do acordo. Ela questionou a continuidade da assistência depois das eleições argentinas, consideradas um fator importante para a decisão de conceder o apoio.

Com mais influência no Legislativo, os democratas poderão ampliar a fiscalização sobre o Fundo de Estabilização Cambial, instrumento do Tesouro utilizado na operação. O novo cenário pode facilitar convocações de autoridades, solicitações de documentos e investigações sobre a destinação dos recursos.

Argentina tem compromissos bilionários previstos para 2027

A possível redução da ajuda externa ocorre em um momento de pressão sobre as contas argentinas. Embora Milei tenha anunciado uma estrutura de recursos que chamou de “bazuca” de dólares, parte dos valores corresponde a linhas de crédito condicionais, e não a reservas disponíveis imediatamente.

O presidente argentino calculou em US$ 125 bilhões o volume total de instrumentos financeiros que poderiam ser mobilizados. A estimativa inclui os acordos de swap de US$ 20 bilhões com os Estados Unidos e de outros US$ 20 bilhões com a China, além de mecanismos adicionais. O montante supera os US$ 75 bilhões mencionados anteriormente pelo próprio governo.

As projeções do setor privado, por outro lado, indicam que os vencimentos do Tesouro e do Banco Central devem chegar a aproximadamente US$ 30,1 bilhões em 2027. Os recursos já identificados para cobrir essas obrigações somam US$ 7,4 bilhões.

A diferença aumenta o desafio da administração Milei, que precisará buscar novas fontes de financiamento, acumular reservas ou renegociar compromissos para cumprir os pagamentos.

Os indicadores do mercado também refletem a preocupação dos investidores. Depois da divulgação do resultado eleitoral nos Estados Unidos, o risco-país argentino, calculado pelo JP Morgan, alcançou 827 pontos-base, maior patamar desde outubro de 2025.

O índice representa mais que o dobro dos 403 pontos registrados em 7 de julho. No mesmo período, os títulos soberanos argentinos acumulam perdas entre 5% e 14% no ano.

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