Os verdadeiros líderes políticos conquistam essa condição por meio de suas atitudes. É a maneira como enfrentam as adversidades, assumem responsabilidades e se comportam nos momentos de maior dificuldade que lhes garante, ou lhes retira, a admiração e o respeito de seus liderados.
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Nos últimos anos, temos testemunhado comportamentos profundamente distintos entre personalidades que ocuparam ou disputaram os mais altos cargos da República. E é justamente nos momentos de crise que essas diferenças se tornam mais evidentes.
Um dos episódios mais marcantes foi o de Luiz Inácio Lula da Silva. Após a condenação imposta pelo então juiz Sergio Moro, Lula não deixou o país. Apresentou-se às autoridades e enfrentou a prisão, afirmando que provaria sua inocência. Permaneceu encarcerado por 580 dias. Naquele período, recusou uma proposta de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, segundo relatos da época, sustentando que não aceitaria aquela condição. Posteriormente, suas condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar os casos e declarou Sergio Moro parcial no processo do tríplex.
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Do outro lado do espectro político, a família Bolsonaro protagonizou episódios que suscitam questionamentos sobre responsabilidade política e compromisso com o país. Jair Bolsonaro deixou o Brasil antes do término de seu mandato presidencial e viajou para os Estados Unidos. Posteriormente, seu filho Eduardo Bolsonaro também passou a permanecer em território norte-americano, em meio a controvérsias políticas e institucionais envolvendo o Brasil.
Agora, as informações são de que Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição de domingo, teria ido à Argentina com a intenção de seguir para os Estados Unidos e buscar proteção política junto ao governo de Donald Trump. Confirmada a notícia reacende uma questão fundamental: qual é a responsabilidade de um líder político diante de seus eleitores quando surgem dificuldades judiciais ou políticas? É legítimo buscar proteção no exterior, mas também é legítimo questionar as razões, as circunstâncias e as consequências de uma eventual saída do país.
Que diferença de postura entre quem decide enfrentar os acontecimentos em seu próprio país e quem busca no exterior uma alternativa para lidar com suas dificuldades!
Não se trata de afirmar que qualquer político deva abrir mão do direito à defesa ou aceitar passivamente uma decisão judicial. Todo cidadão tem direito ao devido processo legal, à ampla defesa e à presunção de inocência. O que se espera de quem pretendia governar o Brasil, entretanto, é coerência entre o discurso público e as atitudes pessoais, além de respeito às instituições democráticas.
Um líder não pode exigir lealdade incondicional de seus seguidores e, quando a situação se torna desfavorável, ignorar as responsabilidades decorrentes da posição que escolheu ocupar. A liderança exige coragem para enfrentar as adversidades, transparência para prestar esclarecimentos e respeito por aqueles que depositaram confiança em seu projeto político. A diferença entre liderar e simplesmente buscar o poder está também nisso: o verdadeiro líder não pode tratar seus eleitores como instrumentos descartáveis de uma ambição pessoal.
A democracia brasileira precisa de representantes dispostos a responder por seus atos dentro das regras do Estado Democrático de Direito. Quem se considera inocente tem o direito de demonstrá-lo nos tribunais, com todas as garantias legais asseguradas. E quem deseja ocupar a Presidência da República precisa compreender que o cargo exige mais do que discursos, sobrenome ou ambição política: exige responsabilidade pública.
A disputa eleitoral termina nas urnas, mas o julgamento da história continua. E é pelas atitudes concretas, sobretudo nos momentos mais difíceis, que os políticos revelam a dimensão de sua responsabilidade perante o povo brasileiro. A covardia jamais pode ser considerada como característica de um líder político. O Brasil acertou na sua decisão do domingo ultimo, quando rejeitou a opção por uma candidatura que agora se comprova, seria um tragédia. Ainda bem que, majoritariamente, a sociedade brasileira percebeu, a tempo, o abismo que se abria em relação ao nosso futuro. Deus é mesmo brasileiro, ficamos agora com essa certeza!

