O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia indicar o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato, segundo informações publicadas pela Reuters nesta segunda-feira (5). A proposta teria como objetivos reforçar a credibilidade da política fiscal e ampliar o diálogo com eleitores de centro antes do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com a agência, duas pessoas familiarizadas com a proposta relataram que Alckmin poderia acumular a Vice-Presidência da República com o comando da Fazenda a partir de 2027. A possibilidade ainda está em análise. Procurado pela Reuters, o Palácio do Planalto não comentou a informação.
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A eventual escolha ocorreria após Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno à frente de Lula. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 99,99% das urnas apuradas, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
Alckmin seria sinal de estabilidade econômica
A indicação de Alckmin teria também o objetivo de transmitir aos agentes econômicos uma sinalização de maior estabilidade na condução das contas públicas, de acordo com a Reuters.
A avaliação relatada pela agência é de que, ao acumular a Vice-Presidência com o Ministério da Fazenda, Alckmin teria maior peso político e autonomia para participar das decisões econômicas do eventual novo governo.
A estratégia também teria uma dimensão eleitoral. A campanha de Lula busca ampliar o diálogo com eleitores de centro que demonstram preocupação com a situação fiscal, mas que não apoiam a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Lula destaca trajetória de Alckmin
Durante o pronunciamento após o primeiro turno, Lula já havia destacado a experiência administrativa de Alckmin e associado o vice à condução das contas públicas.
“Ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal pra mim e para o Alckmin, pelo que ele fez no Estado de São Paulo e pelo que nós fizemos no Brasil.”
Alckmin governou São Paulo por quatro mandatos e foi adversário de Lula na eleição presidencial de 2006. Os dois se aproximaram antes da campanha de 2022, quando Alckmin foi escolhido como candidato a vice na chapa encabeçada pelo petista.
No atual governo, Alckmin comandou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) durante os três primeiros anos. Ele deixou a pasta em abril de 2026 para cumprir as regras de desincompatibilização eleitoral e foi substituído por Márcio Elias Rosa.
Atualmente, Alckmin exerce a Vice-Presidência da República e não ocupa o comando do MDIC.
Possibilidade já havia sido considerada em 2022
A possibilidade de Alckmin assumir a área econômica do governo já havia sido considerada após a eleição de 2022. Na ocasião, Lula avaliou a hipótese de entregar ao vice o comando da economia, mas acabou escolhendo Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda.
A eventual mudança agora ocorre em um cenário de maior pressão sobre a política fiscal e de atenção dos mercados ao resultado das eleições. Segundo a Reuters, investidores passaram a considerar possíveis mudanças na condução econômica após o desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e o avanço de forças de direita no Congresso.
Primeiro turno teve resultado diferente das pesquisas
O resultado das urnas contrariou levantamentos divulgados às vésperas da votação. Na pesquisa Datafolha realizada nos dias 2 e 3 de outubro, Lula aparecia com 45% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro tinha 42%, dentro da margem de erro.
Na apuração oficial, porém, Flávio terminou com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de 1,87 ponto percentual. Com o resultado, os dois avançaram para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
