Há acontecimentos que acontecem uma única vez na vida. O primeiro voto é um deles.
Aos 16 ou 17 anos, quando o voto ainda é facultativo, o jovem que decide ir às urnas pratica um dos primeiros grandes atos de cidadania de sua vida. A Constituição brasileira lhe assegura esse direito antes mesmo de torná-lo obrigatório aos 18 anos.
E isso tem um significado especial.
O primeiro voto não é apenas apertar algumas teclas diante de uma urna. É perceber que aquela menina ou aquele rapaz, que até pouco tempo acompanhava as decisões dos adultos, agora também pode participar diretamente das escolhas do país.
É uma espécie de chegada à vida cidadã.
A juventude precisa ser ouvida. Precisa ser respeitada, estimulada a conhecer os problemas de sua cidade, de seu estado e do Brasil. Precisa aprender desde cedo que democracia não se resume ao dia da eleição. Democracia exige informação, consciência, liberdade e participação.
E há sinais positivos. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o Brasil tinha cerca de 1,4 milhão de eleitores de 16 e 17 anos nas eleições gerais de 2018. Em 2022, eram mais de 2,1 milhões. Nas eleições municipais de 2024, aproximadamente 1,8 milhão de jovens dessa faixa etária estavam aptos a votar.
Cada jovem que participa acrescenta uma nova voz à democracia.
Talvez, daqui a muitos anos, ninguém se lembre de todos os votos que deu. Mas dificilmente esquecerá o primeiro.
Porque o primeiro voto carrega algo que nenhum outro terá: a descoberta de que também somos responsáveis pelo futuro que desejamos.
Que os nossos jovens votem com liberdade, consciência e esperança. Que pesquisem, perguntem, comparem ideias e façam suas próprias escolhas.
O Brasil que eles receberão amanhã também começa a ser construído pelas decisões que tomam hoje.
O primeiro voto é mais do que uma escolha. É o primeiro passo de uma longa caminhada de cidadania.
Desembargador do Tribunal de Justiça da Paraíba.

