Pesquisa aponta impacto negativo de relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Levantamento Meio/Ideia mostra que 47,9% dos entrevistados dizem ter menor intenção de votar no senador após informações sobre ligação com empresário

A “tática diversionista” adotada pelo candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para tentar desviar a atenção de seu envolvimento no caso Dark Horse dificilmente produzirá os efeitos que deseja. Passados mais de três meses desde a revelação de seu pedido de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, supostamente destinado ao financiamento de um filme biográfico sobre seu pai, e diante da ausência, até agora, de documentação capaz de demonstrar de forma convincente a aplicação dos R$ 61 milhões recebidos, o candidato responde às indagações dizendo que o assunto é “página virada” e que quem deve prestar contas é Lula. Siga o canal do WSCOM no Whatsapp. Como assim? O que o presidente Lula tem a ver com as questões que envolvem Flávio Bolsonaro? Recorre-se, mais uma vez, à velha estratégia de responder às acusações dirigindo a pergunta para outro lado: “E o Lula?”. É como se a simples menção ao presidente fosse suficiente para apagar as dúvidas existentes. Não é. O assunto não pode ser considerado página virada enquanto permanecerem sem respostas perguntas fundamentais. O romance ainda está nas primeiras páginas, e há muito conteúdo a ser conhecido. Talvez seja justamente isso que incomode: a possibilidade de que as páginas seguintes revelem informações que não sejam bem recebidas por aqueles que defendem o candidato. As questões continuam à espera de esclarecimentos. Qual foi o roteiro do dinheiro recebido? Como os recursos foram efetivamente aplicados? Por que parte do dinheiro teria sido enviada para uma conta nos Estados Unidos administrada por um advogado ligado a seu irmão, que enfrenta problemas com a Justiça ? São perguntas que não podem ser respondidas simplesmente com um “e o Lula?”. Quem pretende disputar o mais importante cargo da República precisa assumir a responsabilidade de esclarecer fatos que lhe dizem respeito. A candidatura exige, além de discursos e promessas, transparência e disposição para prestar contas. Enquanto essas perguntas permanecerem sem respostas convincentes, a chamada “página virada” continuará aberta. A tática diversionista, portanto, não resolve o problema. Apenas tenta mudar o foco daquilo que realmente precisa ser esclarecido.

A relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro pode representar um obstáculo eleitoral para a candidatura do parlamentar à Presidência da República em 2026. É o que indica uma pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (9).

Segundo o levantamento, 47,9% dos entrevistados afirmaram que as informações sobre a relação entre os dois diminuem a possibilidade de votarem em Flávio. O percentual representa mais de cinco vezes a parcela dos eleitores que disseram ter maior intenção de apoiar o senador por causa do caso.

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Outros 32,2% afirmaram que a ligação entre Flávio e Vorcaro não interfere na decisão de voto. Já 9,3% disseram que a relação aumenta a possibilidade de votar no candidato. Não souberam ou não responderam 10,7% dos entrevistados.

Financiamento de filme entra no centro do debate

O resultado da pesquisa ocorre em meio às controvérsias envolvendo o filme Dark Horse, cinebiografia ficcional sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A produção passou a ser questionada principalmente em relação à origem dos recursos utilizados para sua realização e à aplicação do dinheiro arrecadado.

Informações apontam que Daniel Vorcaro teria realizado repasses para viabilizar o projeto em valores superiores aos aproximadamente R$ 61 milhões inicialmente mencionados por Flávio Bolsonaro.

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou ainda uma transferência de US$ 1,6 milhão, equivalente a cerca de R$ 8 milhões, realizada em 16 de setembro de 2025.

A informação sobre o pagamento foi divulgada inicialmente pela revista Piauí, com base em fontes que acompanham as investigações.

O caso aumentou os questionamentos sobre a prestação de contas relacionada à produção cinematográfica e sobre a participação do empresário no financiamento do projeto.

Relação pode afetar candidatura presidencial

Os números do levantamento mostram que o episódio apresenta, até o momento, um efeito predominantemente negativo para Flávio Bolsonaro entre os eleitores consultados.

Enquanto 47,9% afirmam que o caso reduz sua disposição de votar no senador, apenas 9,3% relatam efeito positivo sobre a intenção de voto.

A pesquisa Meio/Ideia entrevistou 1.500 eleitores por telefone entre os dias 4 e 7 de setembro. O levantamento possui margem de erro de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07935/26.

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