A infraestrutura e a logística representam eixos estratégicos centrais para a sustentabilidade do desenvolvimento econômico e social da Paraíba. Com o objetivo de detalhar como cada projeto político pretende enfrentar os gargalos rodoviários, hídricos, portuários e urbanos do estado nos próximos quatro anos, o Portal WSCOM analisou as diretrizes de infraestrutura contidas nos planos de governo protocolados pelos candidatos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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Cícero Lucena (MDB)
O candidato estruturou seus compromissos no setor a partir dos eixos de “Recursos Hídricos”, “Habitação, Urbanismo e Desenvolvimento Regional” e “Infraestrutura, Mobilidade e Logística”, combinando a pactuação de obras federais com execuções diretas estaduais.
Rodovias e Conexões Metropolitanas
No setor rodoviário, a proposta estabelece a meta de recapeamento de 1.000 km de estradas estaduais. Para intervenções de maior vulto e custo elevado, como a duplicação do trecho Sousa–Cajazeiras na BR-230 e da BR-104 (Campina Grande a Esperança e Queimadas), o candidato optou pela via do cofinanciamento e elaboração de projetos executivos entregues ao DNIT, modelo que reduz a dependência exclusiva do orçamento federal, embora siga condicionado aos repasses da União. Na Grande João Pessoa, a ligação viária da Ponte do Futuro com as rodovias federais BR-101 e BR-230 é tratada com cautela técnica, sendo condicionada a prévios Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) e licenciamento.
Recursos Hídricos e Saneamento
A segurança hídrica da Região Metropolitana é ancorada no Complexo de Cupissura e na ampliação da ETA de Gramame. No interior, a viabilização de obras como o Ramal do Piancó e os 30 km finais do Canal Acauã-Araçagi com as barragens de Gurinhém, Camaratuba e Manguape depende de pactuação de repasses federais. Como contraponto financeiro imediato, o plano prioriza ações de baixo custo e rápido retorno operacional, como o combate ao desperdício na rede da CAGEPA por meio de telemetria e macromedição.
Porto, Novos Modais e Energia
O plano traz propostas de alta complexidade logística: a implantação de portos secos no Alto Sertão e o estudo para o trem rápido de passageiros Recife–João Pessoa. Ciente do impacto financeiro, o documento condiciona expressamente essas frentes a estudos de demanda e atração de operadores privados. No Porto de Cabedelo, a estratégia foca na modernização da retroárea e na retomada do arrendamento para granéis minerais.
Lucas Ribeiro (PP)
O candidato organiza suas propostas voltadas à infraestrutura principalmente no eixo de “Infraestrutura, Mobilidade e Sustentabilidade Ambiental”, além de ações direcionadas à interiorização e ao desenvolvimento territorial. A plataforma do atual governador baseia-se na continuidade da máquina administrativa, alinhando as propostas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.
Malha Rodoviária e Mobilidade Urbana
O plano quantifica metas expressivas: a pavimentação de mais de 800 km de novas rodovias e a requalificação de outros 200 km de malha existente por meio do programa “Estrada Segura”. Trata-se de um projeto de alta demanda de capital, cuja execução tradicionalmente recorre à capacidade de endividamento do Estado e linhas de crédito já abertas. As “Travessias Urbanas” mantêm o modelo de intervenção direta nos perímetros municipais.
Segurança Hídrica e Adutoras
Na área hídrica, a prioridade declarada é a ampliação da coleta e do tratamento de esgoto, além do avanço no abastecimento por meio da conclusão do plano “Novas Adutoras”. Entre os destaques estão a finalização dos ramais do Cariri e do Curimataú, o programa estadual de construção de barragens e a redução de perdas na rede de distribuição.
Porto de Cabedelo e Integração Logística
A proposta para o Porto de Cabedelo foca em intervenções físicas diretas, como a ampliação do dique e o direcionamento para rotas da bioeconomia sucroalcooleira. A implantação do Terminal Logístico Rodoviário de Cargas propõe conectar rodovias, aeroportos e o porto, dependendo da estruturação de modelos de concessão ou parcerias privadas para garantir viabilidade operacional.
Efraim Filho (PL)
O candidato estrutura sua proposta sob uma lógica gerencial de mercado, apostando na atração de capital privado, concessões e contratos por resultado para destravar obras.
Rodovias e Gestão por Desempenho
A principal inovação metodológica no setor viário é a substituição do modelo de manutenção emergencial por “contratos por desempenho”, nos quais empresas privadas assumem a conservação das estradas e são remuneradas pela qualidade contínua da via. O modelo reduz o peso da execução direta pelo Estado, embora exija uma estrutura de fiscalização técnica rigorosa.
Corredor Multimodal e Porto de Águas Profundas
O projeto logístico de Efraim é de altíssima complexidade e pensado à longo prazo: propõe aprofundar o calado do Porto de Cabedelo, estruturar uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e planejar um porto de águas profundas. Por demandarem vultosos investimentos e duras licenças ambientais federais, o plano prevê expressamente o financiamento por Parcerias Público-Privadas (PPPs) e captação de recursos federais em fases graduais.
Água e Esgotamento Sanitário
Na gestão hídrica, prioriza a conclusão de adutoras complementares à Transposição e a redução de perdas na rede com medição digital. No saneamento, defende a regionalização dos serviços em blocos para atrair investimentos privados no cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento.
Pedro Coutinho (DC)
O candidato adota uma linha liberal clássica, propondo a redução do papel executor do Estado e o foco na desestatização de serviços de infraestrutura.
Concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs)
A proposta defende uma política agressiva de concessões e PPPs em rodovias e logística, transferindo a responsabilidade do financiamento e da operação para o setor privado, cabendo ao governo apenas a regulação e a segurança jurídica.
Corredores Logísticos e Segurança Hídrica
O plano prioriza de forma abrangente a modernização dos corredores de escoamento da produção agropecuária até o Porto de Cabedelo e a garantia de água para consumo e produção no semiárido, sem detalhar cronogramas ou estimativas de custos.
Yuri Ezequiel (UP)
O candidato adota uma matriz estatizante e centralizadora, propondo a revogação de contratos com a iniciativa privada e o controle estatal integral da infraestrutura.
Estatização dos Transportes e Empresas Públicas
O projeto prevê a criação de duas novas estatais de grande porte: a Empresa Paraibana de Portos, Aeroportos, Rodovias e Ferrovias e a Empresa Pública de Infraestrutura e Obras. O plano prevê o fim imediato de todas as concessões e PPPs, o que exigiria um volume vultoso de recursos públicos do Tesouro para absorver as obras e indenizar contratos vigentes, além da suspensão do pagamento da dívida pública estadual para financiar essas frentes.
Transporte Coletivo e Passe Livre
A proposta estipula a estatização do transporte intermunicipal e a criação de frotas públicas com tarifa zero (Passe Livre) em todas as cidades paraibanas com mais de 50 mil habitantes, medida de alto impacto contínuo no custeio público.
Camilo Duarte (PCO)
O candidato protocolou o programa nacional do partido, composto por diretrizes de competência federal.
No âmbito da infraestrutura, defende a anulação de todas as privatizações realizadas no país, a estatização irrestrita de refinarias e reservas minerais sob controle operário e o redirecionamento das receitas do setor para a construção massiva de moradias e obras públicas, sem detalhar projetos ou fontes orçamentárias aplicáveis à esfera estadual.

