Michigan elege Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano a chegar ao Senado dos EUA

Médico de 42 anos conquistou 51,8% dos votos e derrotou o republicano Mike Rogers; democrata defende mudanças no sistema de saúde norte-americano

A eleição de Abdul El-Sayed para o Senado dos Estados Unidos representa um marco inédito na história política do país. O democrata venceu a disputa em Michigan nesta quarta-feira (4), tornou-se o primeiro muçulmano a conquistar uma cadeira na Casa e ajudou o partido a ampliar sua presença no Congresso durante as eleições de meio de mandato, as chamadas midterms.

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Com 51,8% dos votos, El-Sayed superou o republicano Mike Rogers, que recebeu 46,2%. O resultado também representa uma mudança na representação política de Michigan no Senado, com a conquista de uma vaga pelos democratas após mais de 30 anos.

A vitória ocorreu em meio ao avanço da oposição ao presidente Donald Trump. Além do resultado em Michigan, os democratas conquistaram maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, passando a controlar as duas Casas do Congresso norte-americano.

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Da medicina à política

Aos 42 anos, El-Sayed construiu sua trajetória profissional na área da saúde antes de ganhar projeção eleitoral. Nascido na região de Detroit e filho de egípcios, estudou biologia e ciência política, cursou medicina na Universidade Columbia e concluiu um doutorado em saúde pública na Universidade de Oxford, no Reino Unido.

De volta aos Estados Unidos, trabalhou como professor de epidemiologia na Columbia e assumiu a direção do Departamento de Saúde de Detroit.

A primeira tentativa de ingressar na política ocorreu em 2018, quando disputou as primárias democratas para o governo de Michigan. Ele não conseguiu a indicação do partido naquela ocasião, mas voltou ao cenário eleitoral anos depois, desta vez na corrida por uma vaga no Senado.

Propostas para a saúde e ataques durante a campanha

A saúde pública foi o principal tema da campanha de El-Sayed. Entre suas propostas estavam a criação de um sistema universal de atendimento médico, custeado pelo governo, e o fim das dívidas médicas que comprometem a renda de milhões de norte-americanos.

Apesar de sua religião ter sido frequentemente colocada em discussão por adversários, o democrata evitou transformar a fé em bandeira eleitoral. Casado com a psiquiatra Sarah Jukaku, que também é muçulmana e tem origem indiana, ele tem duas filhas.

Durante um comício, ao ser questionado sobre o assunto, resumiu sua posição: “um candidato ao Senado que, por acaso, é muçulmano”.

A campanha também ganhou repercussão nacional depois que El-Sayed foi criticado por Donald Trump e recebeu o apoio do ex-presidente Barack Obama nos últimos dias antes da votação. A participação de Obama em um ato em Detroit ajudou a ampliar a visibilidade do candidato democrata.

Adversário explorou críticas a Israel

A posição de El-Sayed sobre o conflito no Oriente Médio também esteve entre os principais pontos de confronto durante a disputa. O democrata fez críticas ao apoio do governo norte-americano a Israel, tema que provocou reações entre diferentes grupos de eleitores.

Mike Rogers tentou usar o assunto para questionar as prioridades do adversário. O republicano afirmou que El-Sayed estaria “mais focado em Gaza do que em Michigan” e procurou apresentá-lo como um candidato concentrado em uma única pauta.

A votação, no entanto, terminou com a vitória do democrata, que agora assume uma cadeira no Senado e entra para a história como o primeiro muçulmano eleito para o cargo nos Estados Unidos.

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