“Bolsa farelo”: Flávio Bolsonaro apaga posts antigos com críticas ao Bolsa Família e a programas sociais

Flávio Bolsonaro apaga posts com críticas ao Bolsa Família a seis dias do 2º turno. Veja detalhes no WSCOM
(Foto: Reprodução)

A seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, o histórico de posicionamentos do candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre programas de transferência de renda voltou ao centro do debate político nesta segunda-feira (19). Capturas de tela revelaram que publicações antigas do parlamentar na rede social X (antigo Twitter) com críticas ao Bolsa Família e a programas estaduais foram apagadas de seu perfil oficial, embora ainda não haja confirmação sobre a data exata da exclusão.

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Nas postagens resgatadas, que datam do período em que exercia o mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, Flávio associava a concessão de benefícios à compra de votos e acusava o Partido dos Trabalhadores (PT) de utilizar a assistência social de forma eleitoreira.

“Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente”, escreveu o parlamentar em 5 de abril de 2010.

Em outras mensagens de 2011 e 2013, o hoje candidato à Presidência chegou a classificar iniciativas de transferência de renda como “bolsa-farelo” e defendeu o financiamento público como estratégia de dependência política.

Voto contrário no Rio de Janeiro

As críticas registradas nas redes se refletiram no histórico legislativo do parlamentar. Em novembro de 2011, Flávio foi o único deputado a votar contra a criação do programa Renda Melhor na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O projeto aprovado por 54 votos a 1 que complementava a renda de famílias em extrema pobreza no estado.

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Na época, o então deputado estadual defendeu a limitação temporal para a concessão do auxílio governamental como forma de evitar a acomodação dos beneficiários.

“Fiz emendas ao projeto […] para limitar em 2 anos”, publicou Flávio em 24 de novembro de 2011, argumentand que a ausência de um prazo máximo estimulava a dependência em relação ao Estado.

Posicionamento da coordenação econômica

A repercussão dos posts apagados coincidiu com declarações da coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, concedidas em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, nesta segunda-feira (19).

“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família, aquilo é uma proteção mas é o início de uma jornada e todo mundo merece sonhar com mais oportunidade, mais dignidade”, afirmou Daniella.

Ela também acrescentou que o objetivo da diretriz é “libertar o Brasil dessa prisão assistencialista”

Apesar da semelhança no uso do prazo de dois anos em relação ao histórico de Flávio em 2011, a coordenação da campanha esclareceu que a proposta atual não prevê o corte sumário do Bolsa Família.

O plano desenhado pela equipe econômica estabelece uma regra de transição de 24 meses para beneficiários que conseguirem emprego formal ou abrirem um pequeno negócio, garantindo o retorno automático ao programa em caso de perda de renda, aliado a ações de qualificação profissional e acesso ao crédito.

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