O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou que o partido possui elementos para comprovar que alguém acessou o e-mail de Flávio Bolsonaro e confirmou a filiação ao Missão. Por meio de publicação feita nesta quinta-feira (13) em seus perfis nas redes sociais, o candidato acusa o candidato do PL de estar por detrás de todo o esquema que estaria por detrás da filiação fraudulenta.
Segundo Renan, a mesma pessoa também teria acessado o aplicativo de militância da legenda. “Nós temos como COMPROVAR que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância”, afirmou Renan em publicação no X.
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O dirigente também disse que o partido entrou em contato com o gabinete de Flávio Bolsonaro e que os e-mails relacionados ao procedimento teriam sido acessados. “O gabinete de Flávio Bolsonaro abriu os e-mails, portanto, o gabinete dele tinha ciência de tudo isso e, mesmo assim, nada foi feito da parte deles para regularizar a situação”, declarou.
Renan afirmou ainda que Flávio Bolsonaro não seria bem-vindo no Missão e classificou o episódio como uma ofensa à legenda.
Renan propõe confronto público
Em outro posicionamento divulgado nesta quinta-feira, Renan Santos propôs uma “acareação pública” com Flávio Bolsonaro para esclarecer a controvérsia. O candidato do Missão sugeriu que o encontro fosse transmitido ao vivo por uma emissora de televisão e afirmou estar disposto a apresentar os registros técnicos relacionados ao procedimento.
“Faço um desafio para ele. Convido todos os veículos de imprensa. Faço uma acareação pública em qualquer televisão, mostrando tintin, IP por IP, log por log no sistema”, declarou. O caso ocorre em meio ao prazo final para registro das candidaturas das eleições de 2026. Com a decisão de Nunes Marques, o vínculo de Flávio Bolsonaro com o PL foi restabelecido para permitir o andamento do registro de sua candidatura presidencial.
Missão divulga nota oficial
O partido Missão divulgou nesta quinta-feira (13) um documento elaborado por sua área de tecnologia com informações sobre o processo que resultou na filiação de Flávio Bolsonaro (PL) à legenda no sistema da Justiça Eleitoral. Segundo o partido, os dados utilizados no cadastro indicam que a ação teria sido realizada por um terceiro não identificado e sem autorização do candidato.
Entre as informações inseridas no cadastro está um endereço fictício atribuído ao senador: “Rua Dos Bandidos, n° 666, Bairro Miliciano, Rio de Janeiro/RJ”. O documento foi enviado pelo partido à imprensa.
Flávio Bolsonaro foi oficializado pelo PL como candidato à Presidência da República no fim de julho. Nesta quinta, a campanha informou que não conseguiu concluir o registro da candidatura porque o senador aparecia como filiado ao Missão no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Partido relata duas tentativas de filiação
De acordo com o documento divulgado pelo Missão, houve duas tentativas de filiação de Flávio Bolsonaro ao partido, uma em 2 de agosto e outra no dia 12.
Na primeira tentativa, o cadastro teria sido feito em uma modalidade que previa contribuição financeira de R$ 4.789,68. Segundo o partido, foram realizadas duas tentativas de pagamento por Pix, mas nenhuma foi concluída.
Ainda no dia 2, teria sido aberto um segundo pedido de filiação, dessa vez em uma modalidade sem contribuição financeira obrigatória. O Missão afirma ter identificado uma divergência entre o CPF informado no cadastro e o CPF associado ao título de eleitor utilizado no procedimento.
Diante da inconsistência, o partido diz ter comunicado o TSE e solicitado a exclusão do registro. Segundo o documento, porém, o pedido não foi atendido pelo sistema eleitoral. O cadastro acabou sendo efetivado como filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão nesta quinta-feira (13), apesar da divergência apontada pelo partido.
TSE nega ataque hacker
O episódio provocou inicialmente suspeitas de invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral. O TSE, porém, negou que tenha ocorrido hackeamento de sua plataforma e informou que a filiação foi realizada por alguém que possuía credenciais do Missão para utilizar a ferramenta de filiação partidária. O documento elaborado pelo setor de tecnologia do partido aponta que a filiação teria sido feita “por terceiro não identificado, sem autorização do titular do nome utilizado”.
Por volta das 15h30 desta quinta-feira, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou o cancelamento da filiação de Flávio Bolsonaro ao Missão e o restabelecimento do vínculo do senador com o PL. A decisão permitiu a regularização da situação partidária do candidato para o registro de sua candidatura à Presidência.
