A delegada da Polícia Federal, Isis Guilherme, solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), na tarde desta quinta-feira (30), a decretação de sigilo de nível cinco — o mais elevado — no inquérito instaurado para apurar a possível participação de agentes políticos citados no âmbito da Operação Perfidus, investigação que resultou na prisão do delegado Braz Marroni e de outros agentes da Polícia Civil da Paraíba.
O pedido foi apresentado após o avanço das investigações conduzidas a partir de elementos reunidos pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil da Paraíba. Conforme apuração, foram identificados indícios envolvendo pessoas com prerrogativa de foro, o que levou o caso à competência do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba.
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Relatório cita suspeitas de crimes eleitorais
De acordo com informações obtidas pelo Blog Wallison Bezerra, o relatório encaminhado à Justiça Eleitoral menciona parlamentares, ex-candidatos a vereador de João Pessoa e um candidato majoritário nas eleições deste ano. Os nomes dos investigados, entretanto, permanecem sob sigilo e não foram divulgados.
O documento aponta indícios de possíveis práticas de lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular e atuação em organização criminosa. Entre os materiais anexados à investigação estão áudios, anotações, contratos, notas fiscais, recibos e prestações de contas relacionadas a fatos que estariam ligados às eleições de 2022 e de 2024.
Investigação passou a alcançar agentes políticos
Inicialmente voltada à apuração da suposta ligação de policiais civis com o tráfico de drogas, a Operação Perfidus passou a incluir uma nova frente de investigação voltada a possíveis crimes eleitorais.
Na última quarta-feira (29), a Polícia Federal comunicou oficialmente ao TRE-PB a abertura do inquérito com base em relatório produzido pela Draco, responsável pelas investigações da operação.
A ampliação da apuração ocorreu após a quebra de dados autorizada pela 2ª Vara Regional das Garantias de João Pessoa. Entre os indícios analisados estão suspeitas de contratação irregular de serviços para desvio de recursos do Fundo Eleitoral.
Outra linha investigativa descrita no relatório também aponta possíveis práticas relacionadas à lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular e atuação em organização criminosa durante os pleitos realizados na Paraíba.
Até o momento, a Justiça Eleitoral não divulgou decisão sobre o pedido de decretação do sigilo de nível cinco nem foram identificados formalmente os agentes políticos eventualmente investigados no procedimento.

