Lula reage a tarifas dos EUA e desafia Trump a comparar direitos trabalhistas

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursando em Brasília com microfone oficial da Presidência da República.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom nesta quinta-feira (11), em Brasília, ao rebater duramente uma investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O relatório norte-americano incluiu o Brasil em uma lista de 60 nações acusadas de falhar na fiscalização e na proibição da entrada de mercadorias produzidas com “trabalho forçado”. Como sanção retaliatória, a gestão do presidente Donald Trump propôs a aplicação de uma tarifa adicional de 12,5% sobre todos os produtos importados desses países.

A declaração de Lula ocorreu durante uma visita institucional ao Observatório Regional Amazônico (ORA), subordinado à Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). No evento, o petista acompanhou a apresentação de dados do sistema Deter, do Inpe, que apontaram uma redução consistente nos índices de desmatamento na Amazônia e no Cerrado.

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Lula desafia EUA a compararem direitos trabalhistas

Irritado com o teor do documento americano — que se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 dos EUA —, Lula desafiou a Casa Branca a fazer uma comparação direta e transparente entre as legislações trabalhistas de Brasília e de Washington.

O relatório do USTR sustenta que, embora o Brasil firme compromissos internacionais contra o trabalho análogo à escravidão, o país carece de mecanismos legais severos para impedir que tais insumos circulem em seu mercado interno, gerando uma suposta “concorrência desleal” contra empresas americanas.

“Temos que fazer uma comparação entre o mundo do trabalho nos Estados Unidos e o mundo do trabalho aqui do Brasil. É lógico que temos defeitos, mas quero comparar os direitos dos trabalhadores americanos com os direitos dos trabalhadores brasileiros. Quero comparar. Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, disparou o presidente brasileiro.

O recado direto a Donald Trump: ‘Minha guerra é narrativa’

Lula revelou que já tratou do tencionamento comercial diretamente com Donald Trump em três oportunidades. O mandatário brasileiro enfatizou que o país não busca atritos de natureza militar ou hostilidades diplomáticas, mas garantiu que o governo brasileiro não aceitará imposições unilaterais da potência estrangeira.

“Eu tenho dito para todo mundo e já falei para o presidente Trump três vezes: ‘não adianta falar para mim que você tem o maior navio do mundo, que você tem os aviões mais rápidos do mundo. Eu não quero guerra com você. A minha guerra é narrativa, é provar que nós estamos certos e vocês estão errados’. A minha guerra é provar que você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos — e eu respeito o voto do povo americano —, mas você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo que quer e as pessoas ficarem quietas. Com o Brasil não é assim”, cravou Lula.

Próximos passos do impasse alfandegário

Apesar do tom duro adotado pelo governo dos EUA, a aplicação da sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros ainda não é imediata. A medida passará por uma fase regulamentar de consulta pública.

O USTR receberá contestações e comentários por escrito de governos e empresas afetadas até o dia 6 de julho de 2026. No dia seguinte, 7 de julho, o órgão norte-americano abrirá audiências públicas para avaliar os impactos econômicos antes de chancelar ou recuar da punição aduaneira. “A gente não quer briga. A gente quer respeito, igualdade, civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países”, concluiu Lula.

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