Fabrício Marsicano: Seja o herói da sua vida, o tijolo é moeda forte

O tijolo atravessa crises, resiste aos ciclos econômicos e preserva o seu valor ao longo de gerações

Grande João Pessoa movimenta R$ 262,18 milhões em vendas imobiliárias em agosto e bate recorde de lançamentos
(Foto: Divulgação)

“O Brasil vai acabar!” Provavelmente você escutou essa frase após as eleições realizadas recentemente, no dia 25 de outubro. Eu não sou o maior expert em economia mundial ou nacional, mas posso afirmar para você: não, o Brasil não vai acabar. O discurso de que “o Brasil acabou” pinta um cenário de terra arrasada — não sei se em busca de likes ou com o intuito de vender cursos e afins.

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Claro que temos muito o que melhorar, e não vou aqui, neste espaço, falar de política, mas sim da gente: do brasileiro comum. Dos que estão lutando no dia a dia, pagando suas contas, recebendo seus salários para buscar a melhor qualidade de vida possível para si e sua família. O primeiro ponto que desejo mencionar é: não espere de político algum, seja de qual lado for, a salvação da sua vida. Só quem pode fazer isso é Jesus — e, mesmo assim, Ele salvaria a sua alma, não o seu corpo. Você é quem precisa determinar o planejamento e a forma como irá executá-lo, qualquer que seja o segmento em que atue.

O título aqui foca no tijolo como moeda forte. Disso eu tenho conhecimento, pois desde 1996 atuo no mercado imobiliário. Mesmo em tempos de crise surgem oportunidades. Sim, pois quem não se preparou ou não se preveniu vai precisar de caixa, de liquidez; com isso, os preços podem, ocasionalmente, ter maior atratividade no curto prazo. E tudo bem, isso faz parte do mercado imobiliário.

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Segundo a plataforma Órulo, na Grande João Pessoa saem 23 apartamentos novos por dia. Em 12 meses, foram 8,4 mil unidades e R$ 5,2 bilhões em preço de tabela. E um detalhe que muda o atendimento: 43 de cada 100 unidades vendidas saem no mês do lançamento. Quem chega na estreia escolhe a melhor planta e o melhor andar. Dica para usar com o cliente: “Aqui saem 23 apartamentos novos por dia. Imóvel bom não fica parado esperando.”

Ainda há espaço para preservar o seu capital no mercado imobiliário, no mercado de tijolo, quando você encontra a combinação de um pré-lançamento — geralmente com um preço de metro quadrado mais competitivo — capaz de render uma margem superior a qualquer aplicação financeira, que hoje precisa superar os 14% ao ano para ter êxito. Mas, de forma geral, nas empresas onde realizo consultorias comerciais, analisando os indicadores, tivemos o pior resultado em volume de vendas no primeiro semestre de 2026 quando comparado aos últimos quatro anos.

Quero crer que dois elementos desaceleram a compra do imóvel físico. O primeiro, penso eu, esteve atrelado às eleições de modo geral; infelizmente, ainda temos muitas pessoas dependentes do Estado — e, quando falo de Estado, refiro-me amplamente às esferas federal, estadual e municipal. O segundo ponto é a Taxa Selic: o patamar atual de 13,75% ao ano é um forte inibidor da produção no Brasil. Correr riscos para empreender, gerar empregos e renda fica mais caro e menos atrativo, elevando as chances de não obter rentabilidade que justifique o esforço, o que trava as empresas.

“Mas o que eu tenho com isso?!”, você pode estar se perguntando neste momento. Acontece que a financeirização é o setor que realmente faz dinheiro no Brasil. E tudo bem, só que é aqui que você precisa compreender a consequência da Selic alta: para o rico que já possui capital acumulado, compensa não fazer nada! É isso mesmo. O ambiente de negócios torna-se tão inóspito que ele não aloca dinheiro no risco. E não é apenas ele: o Walmart já foi embora, a Brookfield Incorporações não ficou, e, no segmento automotivo, a Ford também partiu.

Isso não significa que os empresários se tornaram incompetentes da noite para o dia; a realidade é que a conta não fecha, o negócio “não para em pé”, como dizemos no linguajar popular. E por que os bancos se sobressaem? Porque as empresas tomam empréstimos lastreados na Selic e, se a companhia quebra, o banco executa o patrimônio dado em garantia.

Só que tudo tem limite. Assim é a vida, e no mercado não é diferente. Quando marcas como iFood e Renner seguiram o caminho de se tornarem instituições financeiras para sobreviver, ocorreu uma consequência inevitável: essa bancarização asfixia a cadeia produtiva, que não consegue subsistir sob essa dinâmica.

Recentemente, vi notícias sobre pressões para reduzir a Selic na marra. Precisamos ter muito cuidado com isso. Primeiro, a autonomia do Banco Central deve ser preservada, assegurando independência técnica para elevar ou cortar os juros em sintonia com a realidade macroeconômica. Forçar a queda dos juros por decreto equivale a tomar um analgésico para dor crônica de cabeça: alivia o sintoma no curtíssimo prazo, mas não trata a causa. Seria apenas mais um “voo de galinha” alavancado em crédito fácil, devolvendo a economia ao mesmo patamar logo em seguida.

O remédio necessário é amargo: corte de gastos públicos, redução de ministérios, austeridade nas estatais, fortalecimento da moeda e simplificação tributária com redução de impostos para estimular a arrecadação. Se isso será feito, não sei; mas certamente tornaria o país produtivo na geração de riqueza real, em vez de manter os rentistas aplicando em títulos da dívida pública num ciclo nocivo ao setor produtivo e vantajoso aos banqueiros e às elites.

Termino este artigo lembrando: você tem que ser o herói da sua própria história. Quem tem vocação para empreender, empreenda, mesmo diante dos obstáculos. Nós sempre superamos crises no Brasil e, se vier outra pela frente, superaremos novamente. Não dependa do Estado nem espere pelo INSS. Você que produz — seja no mercado de imóveis ou em qualquer outra atividade —, lembre-se: é você quem sustenta o Estado. São eles que precisam de você, não o contrário.

Seja o herói da sua vida

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