O resultado das eleições presidenciais provocou um impacto significativo no mercado financeiro nesta segunda-feira (26). Com o pior desempenho da Bolsa em uma sessão pós eleição desde 2002, o Ibovespa recuou 13,9%, saindo de 205.082 pontos para 176.608 pontos. Esse cenário contrasta com o entusiasmo registrado no primeiro turno, quando o Ibovespa havia subido mais de 7%.
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No entanto, apesar das estipulações políticas, economistas ressaltaram que a movimentação não reflete necessariamente perspectivas de crescimento da economia real, mas sim o reajuste de projeções de riscos.
Segundo a economista e influenciadora Olívia Carneiro, a volatilidade em períodos eleitorais obedece a dinâmicas de redução de incertezas e expectativas sobre a condução fiscal, longe de paixões ideológicas.
“A bolsa sempre sobe no primeiro turno. Isso é uma lógica econômica. […] Por que que a bolsa sobe no primeiro turno necessariamente? Porque reduz as incertezas. Nós economistas trabalhamos com projeções”, explicou a economista em análise em vídeo publicado em seu perfil no Instagram.
Para ilustrar que a reação inicial dos ativos decorre da previsibilidade dos cenários e não de simpatia política, a economista lembrou a conduta do mercado em pleitos anteriores, como o de 2014.
“Para você ter uma noção, até no dia da Dilma 2, quando ela foi para o segundo turno com Aécio Neves, a bolsa subiu mais de 4%, se eu não me engano. […] Você acha que o mercado financeiro estava feliz que Dilma Rousseff foi para o segundo turno com maioria expressiva? […] É claro que não”, destacou.
A alta registrada após o primeiro turno de 2026 ocorreu no momento em que os agentes financeiros passaram a precificar o favoritismo do candidato de oposição, Flávio Bolsonaro (PL), influenciados por promessas de privatizações, contenção de gastos e pagamento da dívida pública.
“Quando sai o resultado das urnas falando, ‘olha, rolou, vai rolar o segundo turno e o Flávio Bolsonaro está na frente’, a gente tem mais certeza. É muito mais provável – dado que nunca aconteceu de alguém que ficou em segundo lugar no primeiro turno – que o Flávio vá ganhar”, apontou Olívia.
A lógica de valorização baseava-se no ganho de capital proporcionado pela perspectiva de queda de juros obtida pela possível venda de ativos estatais.
“Quando o Flávio Bolsonaro prometeu que vai privatizar coisas do Estado… esse dinheiro que vai entrar, ele vai usar para pagar dívida pública. Ao pagar dívida pública, há uma tendência de redução de juros. […] O juros diminuiu, então vale mais a pena agora eu investir no mercado de ações, que está barato nesse momento. Então ele tira o dinheiro dele do título público e coloca no mercado de ações. Por isso que a bolsa sobe”, detalhou.
Economia real X mercado financeiro
Com o resultado das urnas de domingo (25) confirmando a vitória de Lula, a frustração das projeções que davam como certa a vitória de Flávio Bolsonaro gerou uma corrida para desmonte de posições.
A economista ressalta que as oscilações bruscas da Bolsa de Valores não representam, isoladamente, a saúde da atividade produtiva ou a geração de empregos no país.
“Você percebeu que isso não tem nada a ver com geração de emprego, isso não tem nada a ver com, estar vendendo mais, produzindo mais, ganhando mais. […] Pelo contrário, quem está prometendo crescimento econômico é o Lula, não é o Flávio”, frisou.
Comportamento do Ibovespa no primeiro pregão após definição da eleição nos últimos anos:
- 1998 – Fernando Henrique Cardoso (PSDB): – 4,48%
- 2002 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT): – 4,40%
- 2006 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT): – 1,09%
- 2010 – Dilma Rousseff (PT): + 1,26%
- 2014 – Dilma Rousseff (PT): – 2,77%
- 2018 – Jair Bolsonaro (PSL): – 2,24%
- 2022 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT): + 1,31%
- 2026 – Luiz Inácio Lula da Silva (PT): – 13,88%

