Júnior Pires foi exonerado, a pedido, do cargo de secretário de Proteção e Defesa do Consumidor de João Pessoa nesta quarta-feira (30). A saída foi oficializada no Diário Oficial do Município, um dia após a defesa informar que ele havia solicitado exoneração para se dedicar à própria defesa no âmbito da Operação Zona de Influência, da Polícia Federal.
A portaria assinada pelo prefeito Leo Bezerra estabelece que a exoneração passa a valer a partir desta quarta-feira (30). Júnior Pires havia sido afastado cautelarmente das funções por 90 dias por determinação da Justiça Eleitoral durante a operação.
Segundo a defesa, o pedido de exoneração foi feito para permitir que o ex-secretário se dedique ao esclarecimento dos fatos investigados. Os advogados negam que Júnior Pires tenha qualquer envolvimento com organizações criminosas ou participado de eventual negociação de apoio político com facções.
A defesa também afirma que ele está à disposição do Poder Judiciário e das autoridades responsáveis pela investigação para prestar esclarecimentos e colaborar com as diligências. Os advogados ressaltam que o afastamento determinado pela Justiça Eleitoral é uma medida processual e não representa, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade ou culpabilidade.
Operação Zona de Influência
A Operação Zona de Influência foi deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (29) para investigar uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma organização criminosa com atuação em comunidades da Paraíba. A ação teve sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB). Durante as diligências, foram apreendidos R$ 220 mil em espécie.
De acordo com a investigação, integrantes do grupo criminoso teriam utilizado o controle territorial de determinadas comunidades para negociar apoio político e autorizar a entrada de candidatos nesses locais durante atos de campanha.
Entre as possíveis contrapartidas investigadas estão pagamentos a uma liderança criminosa, custeio de despesas de um centro comunitário e negociações envolvendo cargos ou empregos na administração pública. A apuração busca verificar possíveis crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.
Caio Roberto também é alvo
O deputado estadual Caio Roberto (MDB) também está entre os alvos da Operação Zona de Influência. Segundo a defesa do parlamentar, ele nega ter praticado ilícito eleitoral e afirma que sua campanha segue as regras eleitorais.
Ainda conforme a defesa, Caio Roberto atendeu à diligência da Polícia Federal e não foram encontrados, durante a ação, dinheiro ou outros elementos que indicassem crime eleitoral ou vínculo com organizações criminosas.
As investigações continuam para esclarecer os fatos e individualizar a eventual participação dos envolvidos.