A onda de alimentos “high protein” não é mais exclusividade do wellness e já é adotada por marcas como Ambev, Seara, Parmalat e outras. Assim, o que antes pertencia a uma seção exclusiva do mercado agora invade todas as prateleiras com uma grande variedade de produtos. No entanto, a dúvida que surge é se o consumidor está realmente comprando produtos proteicos ou apenas se deparando com uma estratégia publicitária.
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Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, o nutricionista João Maurício explicou que, na verdade, nem todas as pessoas necessitam de uma quantidade elevada de proteína na dieta e, na maioria dos casos, a suplementação é dispensada devido à facilidade de “bater a meta” através da comida ingerida no cotidiano.
“Se você consegue bater a taxa proteica com alimentos de fontes como peixe, frango, carne e ovos, a gente não faz necessariamente a utilização destes suplementos como algo obrigatório, e sim como facilitador”, explicou.
De acordo com o profissional, a recomendação geral para indivíduos que praticam atividades de força varia entre 1,4 e 2g de proteína por quilo corporal. Em casos específicos, esse valor pode chegar a 2,3 ou 2,5 g por quilo.
No entanto, para quem não pratica nenhum tipo de atividade física, a recomendação é mais baixa, girando em torno de 0,8g por quilo corporal, meta que é facilmente atingida apenas com a alimentação diária.
Novidade nas prateleiras
Em agosto deste ano, o grupo Ambev lançou oficialmente a Spaten Pro, uma cerveja sem álcool que traz 10g de proteína por lata de 350ml. A estratégia da marca está em aproximar o produto, que geralmente se distancia do consumidor que está dentro do universo do bem-estar, através de um produto que geralmente não é ligado à performance.
Já a Seara, lançou uma linha das “panelinhas” e outros produtos congelados (como steak de frango) da linha Protein.

No entanto, em meio a tantas novidades no mercado, o nutricionista alerta para a estratégia de associar a presença de proteína a um produto “saudável” apenas para atrair o consumidor, o que muitas vezes serve apenas para encarecer o produto.
“Os grandes estudos já mostram que a gente associa diretamente a um alimento ser mais saudável à quantidade de proteína. Agora, alguns alimentos entregam sim uma boa quantidade de proteína e fazem total sentido. Já outros alimentos, essa quantidade proteica não faz grande diferença e acaba apenas encarecendo o produto”, disse.
“Em alguns momentos esse ano, a gente teve também uma grande marca de sorvete fazendo uma campanha de sorvete proteico. O ‘conter proteína’ não quer dizer que aquele alimento é uma excelente fonte ou torna o alimento saudável”, continuou o nutricionista.

Afinal, o que é um alimento proteico?
João Maurício também explicou que, para um alimento ser considerado proteico, é necessário possuir mais proteína do que carboidrato em sua composição. No entanto, nem todos os produtos encontrados nas prateleiras seguem essa regra.
“Um exemplo das barrinhas é que na maioria dos casos, a gente vai ter alimentos com mais carboidrato do que proteína. Então, não se tornando necessariamente um alimento proteico, e sim um alimento que contém proteína”, explicou o João.
O ideal, de acordo com o nutricionista, é recorrer a fontes primárias do nutriente. Esse é o caso de alimentos como frango – que possui baixa quantidade de gordura, nenhuma de carboidrato e alto teor de proteína.
Além da facilidade do consumo no cotidiano, o consumo das fontes primárias também costuma ter maior custo-benefício para o consumidor.
“Em termos de custo-benefício, utilizar fontes proteicas mais naturais, acaba saindo um pouco mais na frente do que quando a gente faz a utilização de barras de proteína. Até porque essas opções contêm proteína, mas na maioria das vezes não são opções proteicas”, exemplificou.
Para conseguir aumentar o aporte proteico no cotidiano, João indicou a distribuição fracionada do nutriente ao longo do dia, em porções adequadas nas principais refeições. Como no seguinte exemplo:
- Café da manhã: Utilizar opções como ovos, queijo ou frango.
- Almoço e Jantar: O prato padrão de arroz e feijão já fornece proteína, devendo ser complementado com fontes principais como frango, carne, peixe, porco ou fígado.
- Lanches (tarde): Buscar opções equilibrando sempre carboidrato, proteína e gordura para manter o contexto geral da dieta.

