O cantor Wesley Safadão se manifestou publicamente em defesa dos contratos de seus shows financiados por recursos públicos de prefeituras, especialmente na região Nordeste. Durante uma apresentação realizada no Ribeirão Rodeo Music 2026, em Ribeirão Preto (SP), o artista afirmou estar com a consciência tranquila e ressaltou que sua equipe está apenas executando um trabalho profissional.
“Às vezes, as pessoas estão até achando que é como se fosse praticamente um crime, mas ninguém está cometendo um crime. A gente está executando o nosso trabalho”, declarou o cantor em entrevista. Safadão reforçou que não há imposição nas contratações e que o tempo de sua carreira e a demanda do mercado justificam sua atuação.
Embate judicial e acusações de corrupção
A declaração ocorre em um contexto de disputa jurídica. Na última segunda-feira (27), o artista obteve uma vitória na Justiça do Ceará contra Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e pré-candidato à presidência da República. Safadão moveu uma ação por calúnia, difamação e injúria após Santos publicar um vídeo classificando-o como “ícone da corrupção”.
Segundo as acusações de Renan Santos, o cantor teria firmado mais de 50 contratos entre 2024 e 2025, somando cerca de R$ 52 milhões, utilizando verbas de “municípios pobres” que, segundo o político, deveriam priorizar outras áreas. Por determinação judicial, os conteúdos ofensivos foram removidos das redes sociais, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
Debate sobre precificação e contexto político
Questionado sobre os altos valores dos cachês, Safadão argumentou que a precificação no mercado musical é complexa e não segue métricas rígidas. Ele defendeu que “não existe artista caro, existem os artistas que não se pagam”, referindo-se ao retorno que o evento proporciona ao município.
O cantor também atribuiu a intensificação das críticas ao calendário eleitoral de 2026. Para o artista, o debate público sobre o tema é permeado por uma “hipocrisia gigante”, onde questões profissionais acabam sendo transformadas em palanque político. Por outro lado, Renan Santos mantém a postura crítica, afirmando em nota que prefeituras gastam bilhões em artistas pop nacionais em detrimento das prioridades diretas dos cidadãos.
Coxixola e show milionário
O debate sobre a razoabilidade desses investimentos ganha contornos específicos em casos como o da Prefeitura de Coxixola, no Cariri paraibano, que contratou o cantor por R$ 1,3 milhão para a festa de emancipação política. Com apenas 1.824 habitantes e em estado de emergência federal por estiagem, o município destinou um total de R$ 2,5 milhões para o evento, o equivalente a R$ 1.410 por morador. Enquanto o Tribunal de Contas da Paraíba (TCE-PB) e o Ministério Público investigam a proporcionalidade de contratos artísticos sem licitação em cidades com demandas básicas reprimidas, a gestão municipal defende que os festejos estimulam a economia local através do turismo.