Funcionários do Hospital Geral e do Câncer (antigo Prontovida), em João Pessoa, denunciaram suposta coerção da direção para realizar limpeza emergencial em setores interditados eticamente pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) na sexta-feira (24). Conforme áudio obtido pelo Portal WSCOM, um funcionário da direção do hospital admite ter recebido da Vigilância Sanitária a maioria das reclamações sobre a higiene precária do local e cobra empenho da equipe “não por ele, mas por nossos empregos” em risco.
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Relatos incluem a solicitação de raspagem manual de paredes com mofo e ferrugem, uso intensivo de água sanitária, ordens para economizar produtos e limpar UTIs, bloco cirúrgico e enfermarias oncológicas apesar da interdição. O prédio ainda apresenta infiltrações de ar-condicionado e esquadrias deterioradas. As atividades de higienização solicitadas teriam levado à intoxicação de um trabalhador por poeira e produtos químicos, segundo o relato.
A empresa terceirizada Exemplar, responsável pela limpeza, desaconselhou seus contratados a seguir as instruções, mas a equipe executou os serviços após recorrência de pedidos da direção e falas sobre risco de demissão.
No mesmo áudio obtido pela reportagem do WSCOM, o solicitante menciona expectativa de visita do prefeito entre segunda, 27, e terça, 28, para inspecionar áreas afetadas. A Secretaria de Comunicação da prefeitura informou que o prefeito Leo Bezerra encontra-se em viagem e deve retornar à capital apenas na quinta-feira (30) sem agenda confirmada no local até então.
Saúde contesta
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS-JP), em nota enviada à reportagem, esclarece que a higienização de paredes faz parte da rotina de manutenção prévia a pinturas e adequações estruturais, integrada ao plano de transferências seguras de pacientes para viabilizar obras aprovadas meses antes, reafirmando não compactuar com intimidações e compromisso em apurar relatos formais apresentados.
A reportagem contatou a Exemplar e não obteve resposta até o fechamento desta matéria. Também não foi possível localizar o funcionário intoxicado. O espaço segue aberto ao posicionamento de ambos.