Por José Ricardo Porto
O coaxar dos sapos é um dos sons mais emblemáticos da natureza. Em noites úmidas, especialmente após a chuva, esse coro aparentemente simples revela uma complexa sinfonia de vida, comunicação e equilíbrio ecológico.
Os sapos não coaxam por acaso. Cada som emitido carrega uma função precisa — sobretudo a de atrair parceiros e demarcar território. É, essencialmente, uma linguagem sonora. Cada espécie possui seu próprio “timbre”, ritmo e intensidade, criando uma espécie de identidade acústica única. Para ouvidos atentos, o brejo – amo Bananeiras – se transforma em uma verdadeira orquestra, onde cada coaxar tem papel definido.
Há, nesse som, uma beleza que ultrapassa o aspecto biológico. O coaxar transmite a sensação de continuidade da vida, de ciclos que se renovam. Ele anuncia a chuva, fertiliza simbolicamente a terra e reforça o elo entre os seres vivos e o ambiente. Em muitas culturas, esse som é associado à prosperidade e à abundância — um sinal de que a natureza está pulsando em harmonia.
Ao escutar o coaxar, não ouvimos apenas sapos: ouvimos o equilíbrio do ecossistema. Onde há sapos, há água limpa, há insetos controlados, há biodiversidade. O silêncio, ao contrário, pode ser sinal de alerta.
A natureza, em sua simplicidade, compõe melodias que dispensam instrumentos humanos. Basta parar, ouvir e perceber: até o humilde sapo, com seu coaxar, nos lembra que a beleza não está apenas no que vemos — mas, sobretudo, no que sabemos escutar.
Observação: durante minha vida, já engoli tantos sapinhos lindos, que não andava, pulava coaxando em dias quentes. Tudo valeu! Estamos aqui! Com Mariah, Manuela e Maite. ❤️