Mirem-se no espelho do governo Javier Milei para enxergar o que poderá esperar o Brasil caso Flávio Bolsonaro chegue à Presidência da República. O alerta não é exagero nem exercício de futurologia. É uma advertência sobre os riscos de entregar o destino de milhões de brasileiros a um projeto econômico que tem na experiência argentina uma de suas principais referências.
A coordenadora do programa econômico que poderá orientar um eventual governo Flávio Bolsonaro tem apontado o modelo de Milei como exemplo a ser seguido. Portanto, não estamos diante de uma especulação, mas de uma sinalização que merece ser levada a sério pelo eleitor brasileiro.
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E o que nos ensina a experiência argentina?
A política de austeridade radical, com cortes de gastos públicos, redução de subsídios e retração da presença do Estado, tem imposto sacrifícios pesados à população. Embora o governo Milei tenha conseguido reduzir drasticamente a inflação e alcançar superávits fiscais, os custos sociais continuam preocupantes. Em 2026, a pobreza voltou a crescer, o desemprego atingiu 7,9% e o emprego privado recuou. São sinais de que a estabilização das contas públicas não significa, necessariamente, melhoria das condições de vida da maioria.
É justamente aí que mora o perigo. De que vale comemorar indicadores econômicos se as famílias perdem poder de compra, o emprego formal encolhe e milhões de pessoas enfrentam dificuldades para garantir o básico? Uma economia não pode ser considerada verdadeiramente saudável quando o equilíbrio fiscal é alcançado à custa do sofrimento social.
O Brasil não pode ignorar essa experiência. Temos uma realidade própria, uma população numerosa, profundas desigualdades e uma Constituição que atribui ao Estado responsabilidades sociais inadiáveis. Importar um modelo de austeridade sem considerar essas diferenças pode significar o enfraquecimento dos serviços públicos, a redução da proteção social e o agravamento das desigualdades.
O Brasil não pode ser transformado em laboratório de experiências que sacrificam os mais pobres em nome de uma suposta liberdade econômica. Liberdade para quem? Para o mercado, enquanto o trabalhador perde direitos, a família aperta o orçamento e o cidadão vê diminuir o acesso a serviços essenciais?
É preciso que o eleitor compreenda o que está em jogo. A eleição presidencial não é apenas uma disputa entre candidatos. É uma escolha entre projetos econômicos e sociais que produzirão consequências diretas sobre o emprego, a renda, a educação, a saúde e a dignidade de milhões de brasileiros.
Flávio Bolsonaro precisa explicar ao país que modelo pretende adotar e quais serão os custos sociais de sua aplicação. Não basta prometer eficiência, equilíbrio fiscal e modernização. É necessário dizer quem pagará a conta e quem colherá os benefícios.
Antes de votar, olhem para a Argentina. Não permitam que o Brasil siga o mesmo caminho sem conhecer o preço dessa escolha. O país não pode trocar a esperança de um futuro melhor pela promessa de um ajuste que faça os mais pobres pagarem a conta. O Brasil é dos brasileiros e não pode ser governado contra os interesses de seu próprio povo.
