Flávio Bolsonaro critica STF e governo Lula, defende redução da maioridade penal e endurecimento contra facções

Flávio Bolsonaro durante debate sobre segurança pública e cenário político em São Paulo.
Senador Flávio Bolsonaro durante entrevista. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência, voltou a elevar o tom contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante debate promovido pelo Grupo Voto, nesta segunda-feira (8), em São Paulo, o parlamentar defendeu mudanças na legislação penal, criticou decisões da Corte e elogiou a política adotada pelos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Ao abordar temas relacionados à segurança pública, Flávio Bolsonaro voltou a defender a redução da maioridade penal e afirmou que a implementação de reformas estruturais depende de apoio parlamentar e de maior segurança jurídica no país. “Precisamos de deputados e senadores que sejam favoráveis a essas pautas. Precisamos de senadores que possam voltar a dar segurança jurídica nesse Brasil”, afirmou.

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Críticas ao STF e à segurança jurídica

Durante o debate, o senador questionou decisões recentes do Supremo Tribunal Federal e argumentou que determinadas intervenções do Judiciário dificultam a implementação de mudanças estruturais. Segundo ele, a atuação de ministros da Corte em temas relacionados a políticas públicas e decisões econômicas gera insegurança para investimentos e projetos considerados estratégicos.

Flávio citou como exemplo discussões envolvendo infraestrutura e medidas tributárias para defender a necessidade de maior previsibilidade institucional. O parlamentar também elogiou a decisão do governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump, de enquadrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Na avaliação do senador, a medida pode ampliar mecanismos de combate à lavagem de dinheiro e fortalecer ações de enfrentamento ao crime organizado. “A partir do momento que o governo americano classifica essas organizações como terroristas, ao invés de o governo brasileiro agradecer e fazer um grande pacto de combate à lavagem de dinheiro desses grupos, não, ele vai para a narrativa de que está defendendo a soberania”, declarou.

Flávio Bolsonaro afirmou ainda que o compartilhamento de informações e o fortalecimento da fiscalização financeira poderiam enfraquecer a atuação das facções criminosas.

Mudança de foco político

As declarações ocorrem em meio a uma estratégia de reposicionamento político adotada pelo senador nas últimas semanas. Após desgastes relacionados a questionamentos envolvendo sua relação com o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, Flávio Bolsonaro passou a concentrar suas críticas principalmente no governo federal e nos temas ligados à segurança pública.

O movimento é interpretado como uma tentativa de retomar pautas tradicionalmente associadas ao eleitorado conservador, em um momento de intensificação das articulações para a disputa presidencial de 2026.

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