Na contramão de um mercado acostumado a acolher pessoas mais jovens e músicas intencionalmente virais, o grupo PriCler e as Panteronas chegaram na cena paraibana com o seu primeiro álbum “Bocaberta”.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
Em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM, Pri, líder da banda, descreveu a estética musical do grupo como inovadora, principalmente ao mesclar elementos de gêneros e estilos diferentes. No entanto, ainda que diferente do convencional, o público pode se identificar com facilidade com as letras – principalmente pelo público mais maduro.
“Eu acho que a minha música conversa assim bastante com essa faixa etária de pessoas da minha faixa etária. Inclusive a minha poesia. Tem até uma amiga minha que é mestre em literatura, a Cris Estevão, que fala: “Olha, se você é mulher e tem mais de 35 anos, você tem que ler esse livro porque vai se identificar”. Eu acho que musicalmente falando, nossa estética musical faz isso”, contou.
Barreiras econômicas e o “custo do sonho”

(Foto: Reprodução / Redes sociais)
Diversas barreiras socioeconômicas transpassam o sonho de alcançar a carreira musical, dependendo muita das vezes do ponto de partida de cada artista. Assim, lançar um disco atualmente é, antes de tudo, um exercício de resistência econômica.
Para Pri, o projeto também se tornou um alto investimento que ultrapassou o orçamento pessoal. Com uma formação robusta de sete integrantes, os custos de gravação e manutenção da banda tornam o negócio, por enquanto, insustentável do ponto de vista financeiro.
Embora o início do álbum tenha sido viabilizado por verba do Fundo Municipal de Cultura (FMC), o montante foi apenas o ponto de partida. O restante da jornada é financiado com recursos próprios de Pri e dos outros integrantes.
“A banda não é um negócio sustentável. Muito pelo contrário, eu invisto muito dinheiro. Meu nome está sujo, meus cartões de crédito estão estourados e eu durmo linda devendo ao banco”, revelou a artista.
Aos 41 anos, Pri aponta que sua trajetória como professora concursada é o que permite a “ousadia” de manter a banda ativa. “Tenho uma estabilidade que me ajuda a sustentar essas dívidas para dar fôlego à banda”, explicou.
A prioridade, segundo ela, não é o retorno financeiro imediato, mas a realização de um marco de vida. “Eu fiz o disco dos meus sonhos e ele custa o que custar. Tenho total de zero arrependimentos”, concluiu.
Arte que incomoda
Sem medo de desconfortar, Pri reafirma que sua arte é “rasgada e de coragem”, feita para expressar verdades e não para buscar aprovação fácil. Para ela, o fato de o trabalho poder incomodar setores conservadores é, na verdade, um atestado de êxito.
“Se os caretas acham ruim, para mim é uma honra. Se os conservadores não gostarem da minha arte, é sinal de que tá dando tudo certo. Então, eu acho que isso traz uma uma grande autenticidade para minha arte, uma arte de coragem, uma arte de verdade, uma arte de dedo na cara, uma arte que sangra. E para mim, se não for assim, eu nem eu não levanto nem da minha cama”, finalizou a artista.