O mercado gastronômico brasileiro adere diversas tendências ao longo dos anos e uma delas já se consolidou em João Pessoa: as praças de alimentação fora de shoppings. Fixados em áreas turísticas e residenciais, empreendimentos como o Foodbox, localizado no bairro dos Bancários, consolidam o modelo e unem preços mais competitivos, curadoria de produtos artesanais e entretenimento ao ar livre.
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Artur (Foto: Arquivo WSCOM)
Inaugurado em agosto do ano passado, o Foodbox está localizado estrategicamente entre as duas maiores instituições de ensino superior do estado, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Unipê, o espaço foi planejado para captar o intenso fluxo estudantil, mas foi surpreendido com a diversidade de consumidores da região.
“Imaginávamos que 90% do público seriam estudantes. Na prática, percebemos uma mistura: famílias de classe média e alta dos prédios vizinhos buscam o parquinho com supervisão e a música ao vivo, enquanto o estudante vem pela praticidade”, explica Artur, proprietário do Foodbox, em entrevista exclusiva ao Portal WSCOM.
Custo reduzido
Para o lojista, a migração do shopping para a rua também é um fator que auxilia na saúde financeira do empreendimento. Segundo Artur, o Food Box se difere dos shoppings ao não cobrar taxas adicionais sobre o faturamento dos comerciantes
Essa redução nos custos fixos reflete diretamente no prato do consumidor. Com menos encargos, o empreendedor consegue oferecer produtos de maior qualidade a preços mais acessíveis. “Quando o locatário não tem o custo da porcentagem de faturamento, ele consegue reduzir o valor final para o consumidor”, destaca o empresário.
Incentivo a empreendimentos locais
O ambiente também funciona como uma vitrine para novas marcas. É o caso da Cipriano Pizza Panino, especializada em massas napolitanas de fermentação longa. O negócio nasceu dentro do Foodbox e é gerido por uma família vinda do interior de São Paulo.

Danilo Cipriano (Foto: Arquivo WSCOM)
Para Danilo Cipriano, proprietário da marca, o diferencial está na experiência. “Não é todo mundo que quer ir ao shopping e pagar estacionamento só para comer algo rápido. Aqui, o público encontra empreendedores que criaram seus próprios produtos, e não apenas franquias de grandes redes”, afirma.
Mesmo com o box compacto, Danilo mantém uma cozinha de produção externa no bairro para garantir a qualidade da massa, finalizando o produto no local para que chegue “sempre quente” à mesa. Mesmo com menos de um ano de operação, o empresário compartilhou que já existem planos de expansão para bairros da Zona Norte, como Manaíra e Bessa, visando otimizar a logística de entrega.
Presencial vs. Digital
Embora o delivery seja uma ferramenta indispensável no setor – com alguns lojistas do Foodbox registrando até 50% do faturamento via aplicativos –, o foco do empreendimento é o convívio social. Nos finais de semana, o local chega a receber entre 450 e 500 pessoas por dia. E para levar esse fluxo para os demais dias, o local aposta em entretenimento como transmissão de jogos de futebol e música ao vivo.
Segundo o gestor, a intenção é que o cliente primeiro se encante pela experiência física.
“O cliente primeiro se apaixona na loja física para depois pedir em casa sozinho. Ele quer reviver aquela experiência”, conclui Artur.