O governo federal prepara uma nova versão do programa Ciência sem Fronteiras, que deverá ampliar o acesso a oportunidades de estudo no exterior. A principal novidade será a possibilidade de estudantes do ensino médio receberem bolsas para participar de competições internacionais do conhecimento, conforme informações publicadas pelo jornal O Globo.
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A proposta está em elaboração pelo Ministério da Educação (MEC) e prevê o financiamento de viagens para jovens que conquistarem medalhas em olimpíadas nacionais, como as de matemática. Com isso, os estudantes poderão representar o Brasil em etapas internacionais dessas disputas.
O novo formato também deverá estabelecer prioridades para a concessão de bolsas na graduação e na pós-graduação, direcionando os recursos para áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.
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Áreas tecnológicas e pesquisas estratégicas terão prioridade
Na graduação, a modalidade de intercâmbio conhecida como sanduíche deverá priorizar cursos e projetos ligados às ciências exatas e tecnológicas. Entre os campos previstos estão inteligência artificial, engenharia, matemática aplicada e eficiência energética.
Para a pós-graduação, a proposta contempla bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado na modalidade sanduíche. Nesse nível, o direcionamento será para pesquisas aplicadas a temas como soberania, defesa nacional, minerais críticos e terras raras.
A retomada do programa foi uma das propostas apresentadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral. Na ocasião, ele defendeu o envio de estudantes brasileiros ao exterior para formação em áreas consideradas importantes para o país.
“Vou reeditar aquele programa Ciência sem Fronteiras para mandar a pessoa estudar lá fora coisas extremamente importantes para nós”, afirmou Lula em entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs.
Apesar do avanço na elaboração da proposta dentro do MEC, ainda não foram definidos o volume de recursos destinado ao programa, a quantidade de bolsas disponíveis nem a data de abertura das primeiras seleções.
O planejamento financeiro também precisa considerar outras iniciativas da pasta, entre elas a proposta de ampliação do Pé-de-Meia para estudantes universitários de baixa renda.
Como funcionava o Ciência sem Fronteiras
Criado em 2011, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), o Ciência sem Fronteiras tinha como objetivo ampliar a formação de estudantes brasileiros em instituições estrangeiras, especialmente em áreas ligadas à ciência, tecnologia e inovação.
O programa previa inicialmente a concessão de 101 mil bolsas até 2014. Ao longo de sua execução, entre 2011 e 2017, contemplou aproximadamente 104 mil estudantes de graduação e pós-graduação.
A coordenação era feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A iniciativa também contou com o programa Inglês sem Fronteiras, criado para melhorar a preparação linguística dos candidatos interessados no intercâmbio.
O programa foi encerrado durante o governo de Michel Temer (MDB), sob a gestão do então ministro da Educação, Mendonça Filho. Na época, o governo justificou a descontinuidade pelo impacto financeiro da iniciativa e apontou dificuldades relacionadas ao domínio de idiomas estrangeiros por parte dos participantes, além da necessidade de critérios mais claros para a seleção dos estudantes.
A nova proposta pretende retomar a política de intercâmbio com prioridades acadêmicas reformuladas e a inclusão de alunos da educação básica.


