Na noite de ontem, a cultura paraibana voltou a lembrar a si mesma que continua viva

Em tempos em que tantos insistem em decretar o fim das mobilizações coletivas, o Movimento Cultural da Paraíba demonstrou exatamente o contrário: sob as cinzas das dificuldades, permanece acesa a brasa da organização, da memória e da esperança. Reuniram-se mestras e mestres da cultura popular, artistas, produtoras e produtores, fazedores e fazedoras de cultura, representantes de diferentes linguagens e territórios, todos movidos pela convicção de que a cultura não é apenas expressão artística, mas um modo de existir, resistir e transformar o mundo.

Cada fala carregava mais do que opiniões. Carregava histórias. Carregava o peso das lutas de quem nunca abandonou o sonho de construir políticas culturais capazes de reconhecer a diversidade dos povos e das cidades da Paraíba. Havia ali a consciência de que o movimento atravessou períodos de desmobilização, como tantos outros movimentos sociais, mas também a certeza de que nunca deixou de existir. Porque um movimento que nasce do povo pode até diminuir o passo, mas não perde o caminho.

Talvez o gesto mais bonito da noite tenha sido justamente transformar esperança em compromisso. Como principal encaminhamento, decidiu-se construir o primeiro Congresso de Cultura da Paraíba, não apenas como um evento, mas como um chamado à reorganização, ao reencontro e à reconstrução de um projeto coletivo para a cultura paraibana.

Os anos recentes nos ensinaram que, quando tudo parecia ruir, foi a cultura que manteve acesa uma parte essencial da nossa humanidade. Foi ela quem cantou quando o silêncio tentava vencer, quem contou histórias quando o medo queria apagar a memória, quem ofereceu beleza quando a violência insistia em ocupar todos os espaços. A cultura foi um dos fios que costurou esperança e sanidade para o povo paraibano e para o povo brasileiro.

E, como nos lembra o poeta,

“Só é cantador quem traz no peito o cheiro e a cor de sua terra, a marca de sangue de seus mortos e a certeza de luta dos seus vivos.”

Que nunca nos falte esse cheiro de terra.

Que nunca nos falte essa memória.

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