Áudios obtidos durante a investigação que resultou na prisão do delegado Braz Morroni e dos agentes da Polícia Civil da Paraíba Everton Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge apontam um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes de uma organização criminosa investigada no estado.
As gravações integram o conjunto de provas reunidas na Operação Perfídus, deflagrada para apurar o desvio de drogas apreendidas em ações policiais e a posterior comercialização ilegal dos entorpecentes.
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Conversas alertavam suspeitos sobre operações
Em um dos áudios analisados pelos investigadores, Everton Aires conversa com João Wicttor Alves de Lima, conhecido como “Vitor”, apontado pela investigação como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas que teriam sido desviadas do esquema, além de realizar movimentações financeiras para integrantes da organização.
Na gravação, o policial informa que uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estaria prestes a ocorrer e orienta que um suspeito identificado como Breno fosse alertado.
Segundo a investigação, a mensagem tinha o objetivo de evitar que eventuais drogas ou outros materiais ilícitos fossem encontrados durante a ação policial.
Em outro áudio, Everton comenta o resultado da operação e afirma que Breno acabou sendo preso, apesar do aviso prévio.
Referências à Ficco
Outra gravação obtida durante as apurações mostra o investigador comentando uma operação realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (Ficco), grupo formado por integrantes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e outras forças de segurança.
Na conversa, Everton demonstra preocupação com a possibilidade de Breno ter sido alvo da ação e afirma que o suspeito deveria permanecer atento para evitar flagrantes em sua residência ou em aparelhos celulares.
Para os investigadores, os diálogos reforçam a suspeita de compartilhamento de informações sigilosas com integrantes da organização criminosa.
Defesa nega acusações
Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, a defesa de Everton Aires afirmou que o devido processo legal está em curso e que o policial não aceita as acusações formuladas pela investigação.
Os advogados sustentam que os fatos ainda serão analisados pela Justiça e que o acusado terá oportunidade de apresentar sua versão dos acontecimentos.
Investigação analisou mais de 40 mil áudios
O secretário de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba, Jean Nunes, informou que a apuração durou mais de um ano e contou com a análise de mais de 40 mil gravações por equipes da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o secretário, as investigações identificaram indícios de colaboração entre agentes públicos e integrantes de facções criminosas.
De acordo com a Polícia Civil, o caso teve início em fevereiro de 2025 após a denúncia de um traficante que relatou o suposto desvio de drogas apreendidas em operações policiais.
Ao longo das apurações, foram reunidos elementos que apontam que o esquema investigado teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões em vendas ilegais ao longo de quatro anos.
Prisões e desdobramentos da Operação Perfídus
A Operação Perfídus cumpriu oito dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça contra suspeitos de participação no esquema. Além dos policiais investigados, também foram alvos integrantes de uma facção criminosa que atua na Paraíba.
As investigações seguem em andamento para apurar a participação de outros envolvidos e aprofundar a análise do material apreendido durante a operação.
