A mulher de 36 anos ferida na queda de um elevador em um condomínio residencial no Altiplano, em João Pessoa, ficou paraplégica em decorrência de uma lesão na coluna. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (14) pelo diretor do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, Laécio Bragante, ao g1.
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Segundo o diretor, o diagnóstico foi feito pelo setor responsável do hospital, e a família da paciente já foi informada. A paraplegia é consequência direta da lesão sofrida na queda, ocorrida quando o elevador despencou do terceiro andar do prédio, nesta quarta-feira (13).
Laécio Bragante também informou que a paciente é estrangeira e que a família solicitou a transferência dela para um hospital particular em João Pessoa. Mesmo assim, o Trauma já havia programado uma cirurgia para estabilização da coluna.
“Apesar da solicitação de transferência, já tem programação cirúrgica para estabilização da coluna da paciente. Quando há um trauma desse, é preciso fazer a estabilidade nas vértebras para não haver dano adicional à medula. Essa cirurgia é feita colocando placas laterais para a coluna ficar estável, alinhando pelo menos três vértebras”, afirmou o diretor.
As duas crianças que estavam no elevador com a mulher, de três e cinco anos, sofreram escoriações leves. Elas também foram levadas ao Hospital de Trauma e receberam alta na manhã desta quinta-feira. Após a liberação, ficaram sob os cuidados de um morador do condomínio, amigo da vítima.
Falhas recorrentes nos elevadores
Antes do acidente, o condomínio já havia acionado a construtora GGP na Justiça. O processo tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta supostos problemas estruturais e falhas recorrentes nos elevadores.
Na ação, o condomínio relatou travamentos, interrupções constantes, falhas em sistemas de segurança e episódios anteriores envolvendo os equipamentos. Entre os casos citados estão incêndio no fosso do elevador do Bloco B e queda abrupta de um elevador no Bloco D.
Em janeiro de 2025, a Justiça determinou a troca dos elevadores. A construtora recorreu, e o processo segue em andamento.
Um laudo elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou inconformidades no elevador do Bloco B, onde ocorreu a queda. O documento citou problemas considerados de alta prioridade e risco à segurança dos moradores.
Entre as falhas apontadas estão ausência de sinalização de segurança, falta de controle de acesso à casa de máquinas, falta de extintor adequado, inexistência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, ausência de ventilação adequada e problemas na instalação elétrica.
O laudo também apontou que a máquina de tração do elevador “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”. O documento recomendou a substituição completa do equipamento.
O que diz a construtora
Em nota, a construtora afirmou que “a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses equipamentos” e que “permanece à disposição das autoridades competentes e da administração condominial para colaborar com as apurações em curso”.
A construtora não se manifestou sobre as alegações do condomínio de falhas estruturais e sobre o processo na Justiça.
