Em uma decisão inédita na história recente do país, o Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, impondo uma derrota política ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Siga o canal do WSCOM no Whatsapp.
O resultado da votação em plenário foi de 42 votos contrários e 34 favoráveis, abaixo dos 41 apoios necessários para validar a escolha presidencial. Trata-se da primeira rejeição desse tipo em 134 anos de história da Corte.
Apesar de ter avançado anteriormente na Comissão de Constituição e Justiça do Senado com 16 votos favoráveis, o nome de Messias encontrou resistência mais ampla no plenário. A articulação política do governo não conseguiu reverter o cenário, marcado pela atuação de parlamentares de oposição e pela falta de engajamento decisivo da cúpula do Senado.
Entre os focos de resistência esteve o senador Flávio Bolsonaro, que liderou movimentações contrárias à indicação. Já o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, não atuou diretamente para garantir a aprovação, em meio a divergências que se arrastaram desde o anúncio do nome.
Bastidores
Nos bastidores, Alcolumbre chegou a defender uma alternativa para a vaga, sugerindo o nome do senador Rodrigo Pacheco. A relação entre o presidente do Senado e o indicado foi marcada por distanciamento, mesmo após tentativas de aproximação, como um encontro realizado na residência do ministro Cristiano Zanin.
Com a rejeição, o Palácio do Planalto terá que redefinir sua estratégia para preencher a vaga aberta no Supremo, após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, prevista para outubro de 2025. O episódio expõe um ambiente mais complexo nas negociações entre Executivo e Legislativo.
O contraste com indicações anteriores também chama atenção. Nomes como o do ministro Flávio Dino e do próprio Cristiano Zanin foram aprovados com maior folga, obtendo 47 e 58 votos favoráveis, respectivamente.
Durante a sabatina, Messias defendeu mudanças no funcionamento do Supremo, propondo “aperfeiçoamentos” na atuação da Corte e criticando decisões monocráticas. Ele também manifestou posicionamento contrário ao aborto.