No Nordeste, o receio com fraudes, golpes e vídeos falsos gerados por inteligência artificial atinge 88% da população, consolidando-se como o maior impacto negativo temido na região. O dado supera a preocupação com o uso de deepfakes no cenário eleitoral (79%) e os impactos ambientais causados pela infraestrutura de datacenters (57%), evidenciando que a segurança do consumidor é o ponto mais crítico no avanço da tecnologia.
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Os dados inéditos são da 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban, realizada pelo IPESPE, no início de junho, nas cinco regiões do país. O objetivo do levantamento foi trazer um panorama abrangente sobre o grau de conhecimento e familiaridade dos brasileiros com a inteligência artificial.
No recorte referente ao Nordeste, 90% das pessoas disseram já ter ouvido falar de IA, em um nível pouco abaixo da média nacional (92%); os que afirmaram conhecer bem a ferramenta na região somam 35%, enquanto 68% relatam que já tiveram com certeza algum contato com a tecnologia. Os que disseram já ter utilizado a IA chegam a 52%. Os que não a utilizam alegam principalmente o medo de errar ou receber notícias falsas (30%) ou a preocupação com a privacidade ou uso de dados (18%).
Entre os principais usos mencionados, o campeão é a busca de informações e esclarecimento de dúvidas (57%), seguida de longe pela aplicação profissional (12%) e ajuda nos estudos, cursos ou aprendizado (10%). A principal vantagem esperada com a IA é o ganho de tempo (42%), seguido do aprendizado de coisas novas (26%).
Diante de todas essas possibilidades, a inteligência artificial é recebida hoje mais com preocupação (27%) do que com entusiasmo (24%).
“A pesquisa traz um cenário compatível com o estágio atual do debate no país. Ainda estamos discutindo um marco legal específico para a inteligência artificial, e órgãos como a ANPD, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados, vêm testando instrumentos regulatórios voltados à IA e à proteção de dados”, ressalta o sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do IPESPE.

