A corrida global por minerais críticos colocou o interior da Paraíba no radar dos investidores internacionais. A mineradora australiana Enova Mining estendeu até o dia 1º de dezembro de 2026 o período de análise técnica para adquirir 100% do Projeto Caraúbas, área de 17,7 mil hectares com potencial para extração de terras raras. As informações foram divulgadas inicialmente no portal especializado Brasil Mineral.
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Segundo apuração do portal Click Petróleo e Gás, a prorrogação estendeu o cronograma original de outubro para permitir que os geólogos aprofundem os estudos de campo e a viabilidade técnica dos ativos na região.
Com ações negociadas na Bolsa de Valores da Austrália (ASX: ENV), a Enova busca expandir sua presença na América do Sul e mapeia o potencial da área para a extração de terras raras, além de titânio (via ilmenita e rutilo) e zircônio (zircão).
As terras raras são um grupo de elementos estratégicos utilizados em tecnologias de alta performance, motores elétricos e ímãs permanentes.
Potencial geológico paraibano
O Projeto Caraúbas está localizado no Terreno Alto Moxotó, inserido na Província Geológica da Borborema. A região é reconhecida pelas formações metamórficas e rochas graníticas propícias à ocorrência de monazita, mineral pesado rico em elementos como neodímio e praseodímio.
Apesar da dimensão do território em análise, a companhia ressalta que o processo atual se limita à averiguação dos direitos minerários e da viabilidade geológica do subsolo, não se tratando da aquisição de propriedades rurais da região ou da instalação imediata de uma infraestrutura de lavra.
“As partes concordaram em prorrogar o prazo da opção de due diligence, antes previsto para 13 de outubro de 2026, para até 1º de dezembro de 2026. A extensão concede à Enova mais tempo para concluir uma due diligence técnica detalhada, a fim de determinar se a opção deve ser exercida e se prosseguirá com a aquisição proposta”, comunicou a mineradora.
Boom de pesquisas por terras raras no Brasil
A prospecção na Paraíba acompanha um movimento de forte aceleração do setor mineral no país. Segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), o total de autorizações para pesquisa de terras raras no Brasil registrou um salto de 485,4% entre 2021 e 2025.
Atualmente, a ANM contabiliza mais de 3 mil áreas em fase de levantamento no território nacional, mas apenas quatro jazidas possuem lavra comercial ativa, sendo todas concentradas no estado de Goiás.
Próximos passos
A efetivação do negócio depende do parecer técnico dos geólogos da Enova até 1º de dezembro e da aprovação dos acionistas da companhia australiana. Caso a opção de compra de 100% dos direitos seja exercida, a mineradora fará um cronograma de sondagens e estudos ambientais para dimensionar o volume de reservas.
Estimativas sobre investimentos definitivos, geração de empregos na região ou prazos para início da construção de planta industrial só serão consolidadas após a eventual confirmação da jazida comercial.
