O Restaurante Universitário, na Lagoa, passou a ser a sede de comando do movimento de protesto dos estudantes. Além dos discursos inflamados que aconteciam durante toda a tarde, os hinos nacional, da independência e da bandeira, eram executados pelo serviço de som. Decidiram somente dialogar com o governo quando fossem retiradas das ruas as tropas policiais.
Em entrevista à rádio Arapuan o coronel Gadelha declarava que a vigilância policial e a ordem para reagir teria partido do governador do Estado. Entretanto, auxiliares do governo informavam que o governador João Agripino ignorava tais repressões e que a tendência era o encaminhamento para a legalidade.
No início da tarde chegava à concentração estudantil o arcebispo Dom José Maria Pires, recebido entusiasticamente pelos manifestantes. Lá o líder religioso pediu cautela e firmou posição de apoio ao protesto desde que pacífico, colocando-se à disposição para servir de intermediário nas negociações entre os estudantes e o governo.
Logo depois as lideranças estudantis foram procuradas por dois policiais, acompanhados do sr. Marcelo Medeiros, procurador da Polícia Militar, incumbidos de tentarem negociar uma solução do impasse. Nesse momento chegava às proximidades do Restaurante uma viatura com cerca de vinte policiais, os quais foram recebidos com vaias pelos manifestantes. Em reação dispararam contra os estudantes causando novo momento de pânico. Resultaram desse incidente o ferimento a bala de três estudantes: Carlos Alberto Bonfim, de 15 anos, atingido por um projétil na coxa esquerda; José Alves Bezerra, também baleado na perna esquerda, e Eudes Ferrer, de 17 anos, com uma bala no maxilar esquerdo. Os feridos foram levados às pressas para o Hospital do Pronto Socorro, na avenida Visconde de Pelotas, onde hoje se localiza um prédio de empresa de telecomunicações.
A notícia de que a polícia teria ferido estudantes provocou uma onda de revolta na população e potencializou o conflito com o governo.
Ás dezesseis horas o mesmo procurador retornou ao Restaurante Universitário propondo que as tropas policiais seriam recolhidas se os estudantes desocupassem o local e se dispersassem, voltando às suas casas. A proposta foi recusada pelas lideranças que contrapropuseram: a libertação imediata dos manifestantes que ainda continuavam presos e a evacuação total e imediata da polícia das ruas. Numa última tentativa o procurador sugeriu que uma comissão de estudantes fosse ao Palácio da Redenção e dialogasse com o próprio governador, ao que recebeu a negativa com a afirmação de que o governador é que deveria vir ao encontro deles.
Sem solução os manifestantes resolveram continuar concentrados no Restaurante Universitário.
• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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