A luta das mulheres rurais por direitos, representatividade e melhores condições de vida no campo tem sido marcada pela atuação de lideranças que desafiaram barreiras sociais e ajudaram a transformar a realidade de milhares de trabalhadoras em todo o país. Nomes como Elizabeth Teixeira, Margarida Alves e Raimunda Gomes da Silva tornaram-se símbolos dessa trajetória de resistência e organização coletiva.
Natural de Sapé, na Paraíba, Elizabeth Teixeira é reconhecida como uma das maiores referências dos movimentos camponeses brasileiros. Ao lado do marido, João Pedro Teixeira, participou da mobilização de trabalhadores rurais e, após o assassinato dele em 1962, assumiu a liderança da Liga Camponesa de Sapé. Sua atuação em defesa da reforma agrária e dos direitos das populações do campo projetou seu nome nacionalmente e abriu espaço para a participação feminina em movimentos sociais historicamente dominados por homens.
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Outra figura emblemática é Margarida Maria Alves, que presidiu por mais de uma década o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, também na Paraíba. Conhecida pela defesa dos direitos trabalhistas e pelo enfrentamento às injustiças no campo, Margarida tornou-se símbolo da resistência camponesa. Mesmo após seu assassinato, em 1983, sua luta continua inspirando movimentos sociais, especialmente a Marcha das Margaridas, considerada a maior mobilização feminina da América Latina.
A história de organização das mulheres rurais também passa pela atuação de Raimunda Gomes da Silva, a Dona Raimunda do Coco. Referência entre as quebradeiras de coco babaçu, ela foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), fortalecendo a defesa dos direitos das mulheres extrativistas, da preservação ambiental e dos territórios tradicionais. Seu trabalho alcançou reconhecimento nacional e internacional, tornando-se exemplo para novas gerações.
Apesar dos avanços conquistados ao longo das últimas décadas, as trabalhadoras rurais ainda enfrentam obstáculos relacionados ao acesso à terra, crédito, assistência técnica e representação política. Para reduzir essas desigualdades, o Governo Federal tem ampliado ações voltadas ao fortalecimento da cidadania e da autonomia econômica das mulheres do campo.
Entre as iniciativas estão programas de incentivo à produção rural feminina, acesso ao crédito, apoio à agricultura familiar, regularização documental e promoção da participação social. Também fazem parte desse conjunto de políticas os fóruns permanentes de enfrentamento à violência contra mulheres do campo, da floresta e das águas, além de espaços de diálogo voltados às mulheres quilombolas.
Outros projetos, como os Quintais Produtivos, o Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais, o Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais e o Fomento Mulher, buscam ampliar oportunidades de geração de renda, segurança alimentar e inclusão social.
Ao destacar a contribuição dessas lideranças históricas e o fortalecimento de políticas públicas específicas, o Dia de Luta pela Maior Participação Política das Trabalhadoras Rurais reforça a importância da presença feminina nos espaços de decisão e na construção de um desenvolvimento mais justo e sustentável para o meio rural brasileiro.