A despedida de João Azevêdo (PSB) do Governo da Paraíba foi marcada por um discurso com simbolismo, balanço de gestão e emoção. Ao deixar o cargo nesta quinta-feira (2), dentro do prazo de desincompatibilização para disputar o Senado, o agora ex-governador fez questão de destacar a sensação de dever cumprido e projetar confiança na continuidade da gestão sob comando de Lucas Ribeiro.
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No início, Azevêdo cumprimentou autoridades dos três poderes e aliados políticos, mas tratou de dar o tom do momento: “Já vou embora, mas sei que vou voltar”.
Ao falar sobre a decisão de deixar o cargo, ele reforçou que se trata de um movimento natural dentro da trajetória política. “Despedida não é o fim, mas um recomeço. Hoje […] é dia de subir âncoras e erguer bandeiras”, afirmou, destacando que retorna “à condição de cidadão comum”, mas com “energia acumulada para superar outras etapas”.
Durante a fala, o ex-governador reconheceu que a gestão enfrentou dificuldades, como a pandemia, mas defendeu os resultados alcançados. “Olho em volta e vejo uma Paraíba inquestionavelmente melhor do que aquela que recebemos em 2019. É notório, é notável, é irreversível”, declarou.
Azevêdo também fez um balanço das ações do governo, citando obras de infraestrutura e políticas públicas voltadas à inclusão social. Ele destacou investimentos em áreas como estradas, saúde, educação e segurança, mas ressaltou que o maior legado está na valorização das pessoas em situação de vulnerabilidade. “Nada se compara aos impactos causados por processos de valorização de vidas vulneráveis”, disse.
Ao tratar da sucessão, o ex-governador adotou um tom elogioso e de confiança em Lucas Ribeiro, que assume o comando do Estado.
“O governador Lucas Ribeiro é o governador João Azevedo com metade da idade, luz própria e disposição invejável”, afirmou, acrescentando que o novo gestor “está preparado” e dará continuidade ao projeto em curso.
Ele também garantiu que deixa o governo com equilíbrio fiscal e planejamento em andamento: “Me afasto […] mas deixo em fina sintonia com quem assume uma reserva financeira responsável para cumprir os compromissos já ajustados”, pontuou, reforçando que a Paraíba vive “seu melhor momento”.
Nos minutos finais, o discurso ganhou um tom mais pessoal. Azevêdo falou da família, relembrou sua origem em Cruz das Armas e agradeceu aos paraibanos pela confiança nos dois mandatos. “Foi um privilégio ter tido a oportunidade de dividir com os meus conterrâneos uma nova era repleta de possibilidades”, afirmou.
Visivelmente emocionado, ele antecipou que as lágrimas não seriam de tristeza. “Peço não estranhar as lágrimas […] não serão de tristeza, mas de emoção equivalente à de um pai que acompanha o desabrochar dos filhos”, disse.
Encerrando a fala, deixou uma mensagem direta à população: “Sigo em frente com a certeza do dever cumprido […] Muito obrigado, Paraíba. Até breve, paraibanos e paraibanas.”