O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), revelou que pretende analisar o pedido apresentado por parlamentares governistas para ser anulada a votação que autorizou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS a quebrar os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, mais conhecido como Lulinha.
“Estou querendo decidir. Vou ouvir a advocacia”, afirmou Alcolumbre ao portal G1. A declaração teria sido feita após deputados governistas recorrerem ao comando do Senado após a comissão aprovar a medida em votação simbólica.
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Polêmicas sobre a votação
Conforme o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), suplentes não teriam direito a voto na deliberação. Ao anunciar o resultado da votação, Viana contabilizou sete votos contrários, desconsiderando os suplentes.
Para os governistas, que detinham a maioria do colegiado, a decisão que autorizou a quebra dos sigilos, a sessão, cuja condução criticam, deve ser anulada.
Lulinha
Fábio Luís passou a ser citado por parlamentares da oposição após a Polícia Federal apreender mensagens trocadas entre o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e a empresária Roberta Luchsinger. Segundo as investigações, haveria possíveis referências a ele nas conversas.
Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Lulinha, teria recebido pagamentos de Antunes para atuar junto a órgãos da área de saúde na comercialização de produtos à base de cannabis medicinal. Ela foi alvo de operação da Polícia Federal e afirma que não houve irregularidades em sua relação com Antunes.
A aprovação
A CPMI do INSS aprovou na última quinta-feira (26) a quebra dos sigilos de Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Ijnácio Lula da Slva (PT). O requerimento aprovado é de autoria do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, e desencadeou um cenário de grande tumulto e agressões físicas entre os parlamentares, forçando a suspensão dos trabalhos.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, protestou contra o que chamou de “investigação seletiva” e exigiu a inclusão de nomes ligados à oposição, como o senador Flávio Bolsonaro e o advogado Fabiano Zettel:
“Presidente, quem quer chegar à verdade não faz investigação seletiva, investiga todos. A razão do requerimento que a liderança do governo protocola é porque tem um conjunto de requerimentos pedido pelo líder Pimenta e pedido pelos parlamentares da base de apoio ao governo que não foram simplesmente pautados. Vamos colocar o senhor Zettel aqui para prestar depoimento e junto com o depoimento dele vamos quebrar os sigilos.”