A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), mantém negociações com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a possibilidade de transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo, movimento que pode viabilizar uma candidatura ao Senado nas eleições de 2026. A articulação faz parte de um desenho mais amplo do cenário eleitoral paulista, que ainda está em definição no campo governista.
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Segundo o jornal O Globo, Lula e Tebet trataram do tema durante uma viagem ao Panamá, onde participaram do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). O prazo legal para a transferência do título eleitoral vai até o dia 4 de abril.
Conversas com Lula avançam durante viagem internacional
De acordo com interlocutores do presidente, a eventual candidatura de Tebet ao Senado em São Paulo poderia integrar uma chapa encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em uma disputa ao governo estadual. A ministra, no entanto, afirma que nenhuma decisão foi formalizada até o momento.
Questionada sobre o tema após participar de um evento na capital paulista, Tebet destacou que as conversas com Lula seguem em curso e que o presidente ouviu suas ponderações. “Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. Porque o presidente avalia que sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura. Discutimos com o presidente apenas a minha candidatura ao Senado Federal. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada”, afirmou.
A ministra acrescentou que uma nova conversa com Lula está prevista para antes do carnaval, quando a definição política poderá avançar.
Prazo para transferência e impasse partidário
Além da mudança de domicílio eleitoral, Tebet avalia seu futuro partidário. Atualmente filiada ao MDB, ela recebeu convite para migrar para o PSB. No entanto, dirigentes petistas de São Paulo ainda consideram a hipótese de a ministra disputar o Senado pelo próprio MDB.
Esse cenário,porém, enfrenta resistência interna. O presidente nacional do partido, Baleia Rossi, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes, defendem que o MDB apoie a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), adversário de Lula, como forma de retribuir o apoio recebido na eleição municipal de 2024.
Resistências no MDB
No entorno do presidente, há avaliação de que São Paulo representa um ambiente eleitoral mais favorável para Tebet do que o Mato Grosso do Sul, seu estado de origem. No estado, o MDB integra o governo de Eduardo Riedel, que deixou o PSDB, filiou-se ao PP e se aproximou do bolsonarismo.
Após apoiar Lula no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, Tebet passou a enfrentar desgaste político local. Na época, Jair Bolsonaro (PL) venceu Lula no estado com 59,49% dos votos válidos, contra 40,51%. Deputados estaduais do MDB sul-mato-grossense também já manifestaram resistência à possibilidade de disputar eleições tendo a ministra na chapa ao Senado.
Indefinição do palanque de Lula em SP
Em São Paulo, o palanque de Lula ainda não está consolidado. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem resistido publicamente à possibilidade de concorrer ao governo estadual, embora aliados apostem que ele pode ceder às pressões internas do PT. O ministro da Educação, Camilo Santana, e a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, já manifestaram apoio à candidatura.
Ao comentar o cenário, Tebet apresentou uma avaliação pessoal sobre possíveis nomes para a disputa. “Eu, particularmente entendo, que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, de levar inclusive para um segundo turno, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Não entramos em detalhes (sobre isso). Estou aqui apenas externando uma mera opinião”, declarou.
Apesar disso, setores do centro e da esquerda avaliam que Tebet teria perfil competitivo para disputar o governo paulista. Pesquisas encomendadas por Felipe Soutello, marqueteiro de sua campanha presidencial em 2022, indicariam que a ministra do Planejamento poderia impor mais dificuldades a Tarcísio de Freitas do que Haddad ou o vice-presidente, Geraldo Alckmin. O levantamento foi realizado sem consulta prévia à ministra e encaminhado à cúpula do governo, integrando as análises que orientam as discussões sobre o cenário eleitoral de 2026.