Eduardo Leite vê espaço para disputar Presidência com Flávio, defende código de conduta para STF e diz que acabaria com reeleição

Governador do Rio Grande do Sul buscou se distanciar do bolsonarismo e oferecer alternativa à direita fora do clã familiar do ex-presidente

Imagem: Reprodução YouTube / RivoNews

Em entrevista ao podcast RivoTalks, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), usou o balanço de sua gestão e da reconstrução pós-enchentes como plataforma para testar, em público, um discurso de candidato à Presidência. Anunciando formalmente a intenção de disputar 2026, ele afirmou ver “espaço” para uma candidatura de centro‑direita que una responsabilidade fiscal, compromisso institucional e moderação no trato às pautas de costumes, em contraste tanto com o lulismo quanto com o bolsonarismo.

Ao analisar o campo da direita, Leite avaliou que o grupo está “preso a um personalismo” e citou diretamente Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Sobre o senador, admitiu que os dois ocupam um espaço semelhante do espectro político, mas sugeriu que a direita precisa se libertar da lógica de herdeiros de Jair Bolsonaro. Em relação a Tarcísio, afirmou que o governador de São Paulo é um quadro “competente”, mas que ainda está fortemente vinculado ao legado bolsonarista, o que, na visão dele, limita a capacidade de ampliar diálogo ao centro.

“Fica se discutindo a culpa desse, daquele, não gosta desse, não gosta daquele. Eu quero sim ser presidente da República, liderar um projeto com toda energia para atacar os problemas, e não as pessoas,” disse Leite

Aos jornalistas Gabriel Wainer e Cecília Flesch, Leite tentou se diferenciar dos demais postulantes do seu campo político justamente por defender uma guinada para o centro, com discurso de reformas econômicas combinado com defesa explícita de instituições e direitos civis.

Tentativa de golpe e visão sobre o STF

No tema institucional, o governador concentrou críticas na condução dos processos sobre os atos de 8 de janeiro, classificando-os como “gravíssimos” e afirmando não ver espaço para relativizar a tentativa de depredar as sedes dos Três Poderes, mas apontou excessos na dosimetria de algumas condenações.

Para Leite, o sistema de Justiça precisa distinguir o papel de organizadores, financiadores e líderes dos atos daquele de pessoas que, segundo ele, foram arrastadas pela multidão após consumirem desinformação. Ao tratar de anistia, afirmou que qualquer debate só faria sentido se partisse do reconhecimento do crime e da garantia de não repetição, rechaçando a ideia de apagar responsabilidades em nome de pacificação automática.

A crítica ao Supremo Tribunal Federal aparece em tom controlado. Leite afirmou não ser “proibido questionar o STF”, mas defende que isso seja feito dentro da institucionalidade. Ele defende a proposta do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, de criação de um código de conduta para ministros, com regras mais claras sobre manifestações públicas e atuação em temas politicamente sensíveis, como forma de reduzir a percepção de arbitrariedade sem flertar com discursos de fechamento da Corte.

Fim da reeleição

No campo institucional, o ex-tucano reforçou uma bandeira que já vinha defendendo: o fim da reeleição para cargos do Executivo. Ele argumenta que o modelo atual empurra governos a pensar “metade do mandato” em função da campanha seguinte e dificulta a aprovação de reformas impopulares, como as que implementou no Rio Grande do Sul nas áreas fiscal e previdenciária. Leite defende um mandato único, mais longo, que permita planejar políticas de médio e longo prazo sem o cálculo permanente da reeleição.

Construção de imagem e plataforma

Ao longo da conversa, o governador procurou se mostrar capaz de falar com o eleitorado de direita sem se limitar ao bolsonarismo e, ao mesmo tempo, sinalizar ao centro que não embarca na escalada de ataque às instituições.

“Eu estarei na política o tanto quanto as pessoas acharem que eu devo estar. Se disserem ‘Eduardo, não te queremos mais’, tudo bem. Mas, enquanto entenderem que eu posso contribuir, eu não vou me omitir”, disse.

O equilíbrio que tenta construir — críticas à dosimetria e defesa de um código de conduta para o STF, mas rejeição a anistias amplas e a retórica de ruptura — funciona, na prática, como ensaio do discurso que ele pretende testar se decidir entrar de vez na disputa presidencial de 2026.

Endosso do partido

Na terça (20), após a entrevista ir ao ar, o presidente nacional do PSD Gilberto Kassab compartilhou o trecho da entrevista em que Leite enfatiza o desejo de disputar a presidência. O governador do Paraná Ratinho Jr, até o momento, é o principal nome do partido caso a legenda venha a lançar candidato próprio ao Planalto.

Na quarta-feira passada, Kassab havia destacado a força do paranaense Ratinho Jr dentro da sigla.

“Nós temos dois pré-candidatos, ou é o Ratinho Junior, ou é o Eduardo Leite. E ambos, tenho entendimento que, no momento certo, aquele que estiver em melhores condições será nosso candidato. Hoje, o Ratinho Junior está em melhores condições. A decisão, sendo hoje, seria ele. Mas isso a gente decide nas próximas semanas,” afirmou Kassab à EPTV

 

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