O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no recém-criado Conselho de Paz da Faixa de Gaza. Em declaração dada durante coletiva em Washington, o norte-americano afirmou que reforçou o convite e destacou a importância que o brasileiro poderia assumir no grupo.
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“Eu convidei. Eu gosto dele. Lula terá um grande papel no Conselho de Paz de Gaza”, disse Trump.
O anúncio ocorre dias após a Casa Branca divulgar parte dos integrantes fundadores do conselho, criado em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Entre os nomes já confirmados estão o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, além de Jared Kushner, genro de Trump, e do enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
De acordo com informações da agência Reuters, os membros anunciados terão mandato inicial de três anos. O regulamento, porém, prevê a possibilidade de permanência por prazo superior para países ou representantes que realizarem contribuições financeiras expressivas ao conselho.
Uma minuta de carta enviada pelo governo norte-americano a cerca de 60 países, também mencionada pela Reuters, estabelece que aportes superiores a US$ 1 bilhão em recursos financeiros no primeiro ano permitem a ampliação do período de participação. O documento afirma: “Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da entrada em vigor desta Carta, sujeito a renovação pelo presidente. O mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em fundos em dinheiro para o Conselho de Paz no primeiro ano”.
A criação do Conselho de Paz ocorre em um contexto de forte tensão internacional, marcado pela guerra na Faixa de Gaza, iniciada em outubro de 2023 após ofensivas conduzidas por Israel. Em dezembro daquele ano, a África do Sul acionou a Corte Internacional de Justiça (CIJ), acusando Israel de violar a Convenção para a Prevenção e a Repressão do Crime de Genocídio.
O governo sul-africano solicitou medidas provisórias contra autoridades israelenses, alegando práticas genocidas em Gaza. Israel rejeita as acusações e sustenta que atua em legítima defesa contra ataques terroristas. O Brasil manifestou apoio à ação apresentada por Pretória.
Em janeiro de 2024, a CIJ determinou que Israel adotasse medidas para prevenir atos de genocídio, punir incitações contra os palestinos e garantir a entrada de ajuda humanitária no território, sem, no entanto, ordenar a suspensão das operações militares. Já em novembro de 2024, a Corte emitiu mandados de prisão contra o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant e lideranças do Hamas, por supostos crimes de guerra, acusações negadas por ambas as partes.