Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, do SBT News, a senadora e ex-ministra Damares Alves (Republicanos) abriu o jogo sobre os bastidores do governo de Jair Bolsonaro no que tange às políticas para mulheres. Ela relatou que o termo “feminicídio” encontrou barreiras ideológicas dentro da ala conservadora, que o associava erroneamente a uma agenda estritamente feminista, dificultando a comunicação de avanços reais do ministério.
Damares citou como exemplo o decreto do Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, construído em parceria com o Ministério da Justiça. Segundo a senadora, a orientação para que Bolsonaro assinasse o documento “de madrugada” impediu que o Palácio do Planalto fosse ocupado por autoridades femininas e ativistas para celebrar a medida, o que resultou em uma perda estratégica de conexão com o público feminino.
A separação entre pauta feminina e feminismo
Para a senadora, houve uma “confusão” entre os conservadores sobre o que representam as demandas das mulheres. Ela defendeu que temas como o apoio a mães atípicas, a inclusão no mercado de trabalho e o combate à violência doméstica são necessidades urgentes que não devem ser negligenciadas por questões de nomenclatura.
Damares afirmou que a direita brasileira “aprendeu a lição” e que agora busca retomar esse espaço. “As respostas para a inclusão e proteção da mulher são nossas, mas o governo era tímido em mostrar isso”, pontuou, ressaltando que o voto feminino terá que ser reconquistado através de uma postura mais assertiva e menos reativa às pautas de gênero.