Integrantes de movimentos sociais ocuparam nesta quinta-feira (23) a B3, sede da Bolsa de Valores brasileira, na cidade de São Paulo, em protesto contra o desemprego, a inflação e a fome. De acordo com os manifestantes, o local do ato foi escolhido porque as ações das grandes empresas estavam em alta até meados deste ano, e o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu, mas a expansão foi desigual e deixou de fora especialmente a classe de renda mais baixa. O protesto, dentro e em frente à B3, no Centro, durou cerca de duas horas.
Os integrantes gritam palavras de ordem e culpam o presidente Jair Bolsonaro pela grave crise financeira que atinge o país, com a alta inflação que tem levado de volta milhares à pobreza.
Manifestantes argumentam que, enquanto a pobreza aumenta no país, os bancos tiveram lucros recordes e que houve aumento de grandes fortunas, com o surgimento de 42 novos bilionários no Brasil — em uma referência à lista da revista Forbes.
“Ocupamos a Bolsa de Valores de São Paulo, maior símbolo da especulação e da desigualdade social. Enquanto as empresas lucram, o povo passa fome e o trabalho é cada vez mais precário. Quem segura o Bolsonaro lá são os donos do Mercado!”, disse o grupo em uma rede social.
Agora, no centro de São Paulo!
Tá tudo caro, tá tudo mal, e a culpa é do Bolsonaro!
Basta!#tatudocaroaculpaédobolsonaro#forabolsonaro pic.twitter.com/SPjzUftjva
— MTST (@mtst) September 23, 2021
“É inadmissível que quase 100 milhões de brasileiros estejam em situação de fome e insegurança alimentar enquanto os bilionários movimentam R$ 35 bilhões por dia só aqui na bolsa”, afirmou Debora Pereira, liderança do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto).
E completou: “Estamos aqui para denunciar o que acontece no país e a política por trás disso. Em um ano, o número de milionários dobrou, enquanto aumentou a miséria. Não é possível que 99% da população empobreça para que 1% enriqueça. Este é um grito que estava engasgado na garganta de quem vai no supermercado”.
Os manifestantes cantavam e levavam faixas e cartazes com dizeres como “Sua ação financia nossa miséria”, “Tá tudo caro e a culpa é do Bolsonaro”, “Brasil tem 42 novos bilionários enquanto 19 milhões passam fome”, “Tem gente ficando rica com a nossa fome”.
Alguns dos participantes carregavam ossos bovinos durante o ato. “Até osso que era dado em açougue agora é vendido”, falou Debora.
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Manifestantes em frente ao prédio da B3, no Centro da cidade de SP — Foto: Vivian Reis/g1
A bolsa está no vermelho desde que a crise política disparou a inflação e demandou alta nos juros. Ela apresenta queda de 5% no ano até esta quinta.
Em nota, a B3 informou que “a manifestação nesta tarde ocorreu de forma pacífica e já foi encerrada, não tendo havido impacto para as operações de mercado”.
O protesto vem em um momento em que o país bate recordes de inflação. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país teve o pior mês de agosto em 21 anos, com alta de 0,87%.
Com isso, aliado à expectativa do fim do auxílio emergencial, a tendência é que o número de brasileiros abaixo da linha da pobreza aumente consideravelmente até o próximo ano, já que as ofertas de trabalho também diminuíram com a crise.
O índice de desemprego, segundo o IBGE, também é alto: 14,1% estão desocupados, o que representa 14,4 milhões de desempregados. A estatística considera todos aqueles com idade acima de 14 anos que tentam encontrar trabalho.
