A realidade nacional a partir dos próximos dez dias nos Estados brasileiros impõe a certeza de que mais uma vez o Governo Bolsonaro, agora tendo no Ministério da Saúde o médico paraibano Marcelo Queiroga, se mantém na contramão e perdendo oportunidade de reconciliação nacional no trato da COVID porque aposta de fato no negacionismo.
Embora o presidente e o ministro da saúde digam respeitar a ciência mesmo recusando a indicação científica de necessidade urgente de Lockdown pela grave fase da nova cepa da COVID, daí recursarem a implementação, na prática os próximos dias no País chegaremos muito próximo da paralisação com o Governo Bolsonaro fora.
Fica patente, muito evidente mesmo, que o Governo Bolsonaro se mantém desarticulado e distante dos Estados e Municípios insistindo em procedimentos precoces de tratamento condenados pelas entidades médicas submetendo o País à falta de política nacional bem resolvida, felizmente com governos estaduais e municipais responsáveis a fazer o papel que era e é do ente federado.
O preço desta insistência macabra e irresponsável só não será muito mais pior em face dos procedimentos adotados por Estados e Municípios exatamente quando o Brasil passa dos 300 mil mortos por irresponsabilidade das políticas federais, que ainda vão chegar nos Tribunais punindo seus responsáveis.
EFEITO DE VIAGEM
O ministro Marcelo Queiroga sentiu na pele a gravidade sanitária da COVID e seus efeitos políticos imediatos em duas viagens a São Paulo e Rio de Janeiro convivendo com fortes protestos de universitários de Medicina da USP e de profissionais e funcionários da Saúde ao som do refrão ” Fora Cloroquina, Bolsonaro Genocida”.
Este é o resumo de uma viagem pretensamente com fins políticos, mas de resultados ineficazes, porque o ministro faria melhor se tivesse ocupado o tempo no ministério em Brasilia articulando equipe, métodos e protocolos para o País inteiro.
Em síntese, o cenário continua nebuloso mesmo com o reconhecimento à capacidade médica do novo ministro, ineficaz porquanto não tem liberdade para adotar o que o País precisa pois vive sob a tutela do presidente- ministro negacionista.
Futuro muito complicado, enfim.
