O ministro Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, afirmou que o monitoramento de parlamentares feito pela Secom é um “absurdo”, e que não foi determinado por ele. Ramos fez a afirmação a um deputado da base aliada do governo, Jeronimo Goergen, do PP do Rio Grande do Sul, que é um dos 162 deputados e senadores cujas redes sociais foram alvo do escrutínio do Planalto entre fevereiro e abril deste ano, período no qual a coluna obteve os relatórios Parlamentares em foco. Naquele período, a Secom, chefiada por Fabio Wajngarten, era subordinada à Secretaria de Governo de Ramos.
Ramos, cuja Secretaria de Governo sempre esteve entre os destinatários do monitoramento, afirmou ao deputado não saber do monitoramento e tratou a reportagem como uma “forma de atacar” o governo Bolsonaro. O ministro havia sido procurado na quinta-feira de manhã, véspera de publicação da reportagem, mas a Secretaria de Governo não quis, a exemplo da Secom, responder às perguntas da coluna.
“Desconheço a existência de empresa contratada para tal no início do ano. (…) A Segov trata da articulação política e tem como objetivo permanente se relacionar respeitosamente e de forma republicana com todos parlamentares. O Sr, em particular, sabe da minha índole, honra e valores!! Posso lhe afiançar que não determinei tal absurdo!!”, escreveu Ramos a Goergen.
Na última sexta-feira, a coluna mostrou que o Palácio do Planalto monitorou com dinheiro público as redes sociais de parlamentares de oposição e governistas e de jornalistas, com o objetivo de municiar diferentes órgãos do governo sobre o comportamento digital de deputados, senadores e da imprensa.
Escrito por: Edney Oliveira
