O ex-deputado federal e ex-presidente da Assembléia Legislativa, Inaldo Leitão comentou a decisão do PMDB em sair do governo após aliança que durou 13 anos. Ele avalia que o partido fez uma jogada para continuar no poder.
Confira o texto o ex-deputado:
“ERA UMA VEZ UM PARTIDO
O PMDB passou 5 anos mandando no Governo Sarney (1985-1990), foi condômino ilustre do Governo Itamar Franco por 3 anos (1992-1995), pendurou-se no Governo Fernando Henrique durante 8 anos (1995-2003), aderiu ao Governo Lula e nele se aboletou por 8 anos (2003-2011) e faz mais de 6 anos que tem o vice-presidente Michel Temer, sete ministérios e 600 cargos no Governo Dilma (iniciado em 2011).
Não durou mais que 3 minutos a reunião que o PMDB realizou ontem para desembarcar do atual governo e aderir ao impeachment de Dilma Rousseff. O objetivo do rompimento? Derrubar o governo e se apropriar da cadeira presidencial, entregando-a ao vice Michel. É muita esperteza. Se a jogada der certo, o PMDB vai somar aos 30 anos de poder os quase 3 anos que ainda restam do atual mandato.
Bem, o problema é que pode dar errado. Se o impeachment não sair, os peemedebistas vão ficar fora do poder depois de três décadas. E se, fracassada a manobra, o PMDB quiser voltar? A mim, particularmente, não causaria espanto algum. “Às favas com os escrúpulos”, dirão os oportunistas do partido. Esse não é aquele PMDB velho de guerra de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, Humberto Lucena e Antônio Mariz.
Esse não é o PMDB que lutou bravamente contra a ditadura militar. É apenas um ex-partido. Um ex-partido sem vergonha, sem voto para eleger um Presidente da República e sem um mínimo de ética. Esse gesto de traição praticado pelo PMDB pode ter efeito contrário e causar tanto repúdio que pode sepultar de vez o ‘impeachment’. E aí o PMDB pode ter prestado um grande favor ao Brasil e à democracia. Mesmo sem querer.
P.S.: comecei a militar no MDB/PMDB ainda estudante secundarista em 1970 e nele permaneci até 1999. Ainda bem que saí.”
