A Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) comemorou na tarde desta segunda-feira (1º) os 150 Anos de Nascimento do médico Flávio Ferreira Silva Maroja. A sessão solene, que fez parte de uma série de atividades comemorativas em alusão ao sesquicentenário do benfeitor paraibano, foi uma propositura do vereador Fuba (PT) e aconteceu no Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil na Paraíba (OAB-PB).
O médico é um dos fundadores da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba, do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), do Hospital Santa Isabel e do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Paraíba (IPAIP), atual Instituto Walfredo Guedes Pereira.
Compuseram a mesa, além do propositor da solenidade, que é bisneto do homenageado; o trineto do do homenageado e o neto, o diplomata Ramon Arruda e o médico e professor de Medicina da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), José Luiz Maroja, respectivamente; o presidente em exercício da Academia Paraibana de Medicina, Ricardo Rosado Maia; o presidente do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba (IHGP), Joaquim Osterne Carneiro e a historiadora Marta Falcão. Diversos amigos e familiares do benfeitor paraibano prestigiaram a solenidade.
O vereador Fuba lembrou que também nasceu em 1º de setembro, assim como o homenageado, e que por isso recebeu o nome de Flávio (Eduardo Maroja Ribeiro) em homenagem a seu bisavô. Em seu discurso o parlamentar falou que Flávio Maroja norteou o nome da família e de toda a Paraíba com sua dedicação em auxiliar o próximo nas mais diversas áreas da vida. “Sempre com o desejo de compartilhar, dividir com o outro e fazer caridade, Flávio Maroja vai estar ligado a história de nosso estado e de nossa família. Ele engrandece a todos os paraibanos e seu nome está plantado em nossa terra e em nossos corações”, afirmou.
A historiadora Marta Falcão fez uma cronologia histórica da vida do benfeitor paraibano destacando o comprometimento de sua família com a educação dos filhos e disse que o homenageado foi um homem comprometido com seu semelhante e a frente do seu tempo. Já Ricardo Rosado Maia destacou que nomes como o do homenageado deveriam ser mais reverenciados no país para servir de exemplo positivo para as futuras gerações. “A Paraíba se orgulha de ter um filho como Flávio Maroja. Um grande exemplo a ser seguido”, defendeu Ricardo Maia.
José Luiz Maroja realizou uma cronologia histórica a luz da medicina, destacando a verve sanitarista de Flávio Maroja. E que ele sempre buscou a reunião e o trabalho em equipe na sociedade para uma melhor qualidade de vida da população. O diplomata Ramon explanou sobre a política na vida do seu trisavô enfatizando sua busca pelo bem estar e pela formação da identidade do povo paraibano.
O historiador e pesquisador sobre a vida do homenageado, Azemar dos Santos Soares Júnior, falou que Flávio Maroja teve grande destaque na luta para melhorar a educação no país e trabalhou para incluir no currículo escolar a Higiene e a Educação Física. Ele também fez questão de enfatizar que o homenageado era muito querido por todos em sua época, inclusive pela oposição.
A medicina na vida de Flávio Maroja
Flávio Maroja foi um dos pioneiros da Medicina na Paraíba e engajou-se na criação e na consolidação tanto de instituições assistenciais quanto daquelas vinculadas ao desenvolvimento das ciências médicas paraibanas. Nasceu em Pilar, no interior da Paraíba, em 1º de setembro de 1864. Estudou no Lyceu Paraibano e cursou Medicina na Bahia e no Rio de Janeiro, concluindo o curso nesta em 1888.
Médico do Exército por concurso, serviu na Guarnição de Goiás. Deixou voluntariamente a farda e dedicou-se à clínica em seu Estado natal. Dirigiu, por quase meio século, o Hospital Santa Isabel da Santa Casa da Misericórdia, atualmente municipalizado. Fundou a Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba, da qual foi o primeiro Presidente.
Outras facetas do homenageado
Na política partidária, Flávio Maroja integrou a primeira constituinte paraibana da era republicana, em 1891, e foi eleito para outros dois mandatos na Assembleia Legislativa, na transição entre as décadas de 1910 e 1920. Durante o Governo Solon de Lucena, de 1920 a 1924, foi o primeiro vice-presidente da Paraíba, cargo que corresponde, atualmente, ao de vice-governador.
Em 12 de novembro de 1912 participou da fundação do Instituto de Proteção e Assistência à Infância da Paraíba (IPAIP) junto ao médico Walfredo Guedes Pereira. Foi um dos fundadores e presidiu o Instituto Histórico e Geográfico Paraibano durante 24 anos, nos períodos de 1907 a 1908 e de 1909 a 1932. Quando faleceu, em João Pessoa, no dia 15 de fevereiro de 1940, aos 76 anos, o baluarte da família Maroja era Presidente de honra do IHGP. Ele ainda exerceu a atividade de jornalista, colaborando nos jornais “A União” e “O Comércio”.
