A felicidade que encontrei pelo caminho; por Carlos Batinga

Ontem à noite(23/10/26), enquanto caminhava pelo bairro Alto de São Vicente em Monteiro, encontrei uma senhora que, ao me avistar, veio logo ao meu encontro.

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— Doutor, eu sou gari. Passei no primeiro concurso que o senhor fez aqui em Monteiro, em 1998, e continuo trabalhando até hoje. Tenho duas filhas que se formaram. Eu sou a pessoa mais feliz do mundo!

Confesso que aquele encontro me fez parar por alguns instantes, mesmo depois de seguir caminhando.

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Em poucas palavras, aquela mulher me apresentou uma história de vida que reúne muito daquilo que realmente importa: a conquista de um emprego, a dignidade do trabalho, a segurança de poder exercer sua profissão ao longo dos anos e, sobretudo, a alegria de ver as filhas formadas, fruto das politicas públicas implantadas nas últimas décadas.

Para mim, que tive alguma participação nessa história, foi especialmente gratificante perceber o significado que aquele concurso teve em sua vida.

Às vezes, quem está na gestão pública não consegue dimensionar o alcance de uma decisão administrativa. Um concurso pode parecer apenas um procedimento para preencher vagas. Mas, para quem conquista uma delas, pode representar estabilidade, dignidade, independência e a possibilidade de oferecer um futuro melhor aos filhos.

Aquela senhora não me falou de dificuldades, não fez reivindicações nem pediu reconhecimento. Apenas compartilhou sua felicidade.

E talvez tenha me dado uma das melhores lições que alguém pode receber: o verdadeiro resultado de uma ação pública não está apenas nos números ou nas obras realizadas, mas nas vidas que ela ajuda a transformar.

Naquela noite, fui eu quem saiu daquele encontro com uma recompensa. A recompensa de saber que uma decisão tomada há tantos anos continuava produzindo frutos na vida de uma família.

E fiquei pensando: quantas outras histórias como essa existem por aí, silenciosas, que nunca chegam ao conhecimento de quem um dia ajudou a torná-las possíveis?

Aquela mulher tem motivos para ser feliz. E eu também tive os meus para agradecer à vida por aquele encontro.

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