O debate da Banda: um fracasso que revelou o desespero de Flávio Bolsonaro, por Rui Leitão

Flávio Bolsonaro participa de comício em Copacabana no início da campanha presidencial
São Paulo SP 04/05/2026 O Candidato a presidencia pelo PL Flavio Bolsonaro ao lado do Governador Tarcisio de Freitas e o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes durante Marcha para Jesus reúne 33,8 mil pessoas foto RS/via Fotos Publicas

Ontem à noite, encerrado o debate da Band, gravei um vídeo curto no qual o classifiquei como fraco. E foi mesmo. Até porque, na prática, não houve debate. Faltou seriedade a um dos candidatos, que chegou à emissora não para discutir os problemas nacionais, confrontar ideias e apresentar propostas, mas para transformar em brincadeira um assunto da maior gravidade: o futuro do Brasil.

Lula é um político acostumado a participar de debates de alto nível, não apenas no Brasil, mas também em outros países. Ontem, porém, viu-se diante de um adversário que parecia mais preocupado em fugir das perguntas do que em respondê-las, mais empenhado em perturbar o confronto do que em apresentar ideias consistentes para governar uma nação complexa como a nossa.

Flávio Bolsonaro adotou uma postura de irresponsabilidade gritante. Sua atuação me passou a impressão de alguém mais interessado em provocar e desestabilizar do que em discutir os grandes problemas brasileiros. Cheguei a me perguntar se não estaria seguindo uma estratégia inspirada em Pablo Marçal, que estava presente no local como um de seus assessores.

A fórmula foi semelhante àquela apresentada na entrevista à Globo: escapar de respostas convincentes e evitar explicações sobre questões que despertam dúvidas e cobranças de muitos brasileiros a respeito de sua trajetória política e de sua vida pública.

Mas foi no final que Lula colocou o adversário diante de um verdadeiro xeque-mate, para usar a linguagem dos enxadristas.

Lançou um desafio direto: que ambos abrissem seus sigilos bancário, telemático e telefônico, assim como os de seus familiares mais próximos, nos termos propostos. Flávio, entretanto, não deu uma resposta afirmativa ao desafio. Ficou diante de uma encruzilhada política da qual não conseguiu sair com clareza.

A pergunta que fica para o Brasil é simples: Flávio Bolsonaro, você aceita ou não o desafio?

Se recusar, terá de enfrentar o desgaste político dessa decisão e explicar por que não aceita a proposta. Afinal, quem pretende governar o país precisa demonstrar coerência, transparência e disposição para prestar contas à sociedade. Não é razoável exigir explicações dos adversários e fugir de questionamentos quando chega a própria vez de responder.

Continuam, portanto, em aberto as perguntas e acusações que cercam sua trajetória política, às quais é necessário responder com fatos, documentos e esclarecimentos, e não com provocações ou evasivas.

Se não tivemos o debate que esperávamos, saímos desse confronto com uma preocupação ainda maior: a postura de Flávio Bolsonaro não demonstrou o preparo, a responsabilidade e a consistência que se esperam de quem pretende ocupar a Presidência da República.

O Brasil não precisa de um presidente que transforme o debate público em espetáculo de provocações. Precisa de alguém capaz de enfrentar os problemas nacionais com seriedade, competência e compromisso com a democracia.

Por isso, reafirmo minha convicção: no dia 25 de outubro, precisamos salvar o Brasil de uma tragédia política anunciada.

A alternativa é clara: votar em Lula, digitar 13 na urna eletrônica e defender a democracia, a responsabilidade pública e o futuro do nosso país.

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