Ele cresceu na casa que era o cartão postal da cidade, e viu passar por ela presidentes e figuras ilustres da República, que ali se hospedavam na falta de um bom hotel.
Nasceu, portanto, em berço de ouro. Não o ouro de tolo, como seria de se esperar, mas o símbolo de uma riqueza de espírito.
Longe de abrigar nobres, o que se via ali naquele endereço era um família de pessoas simples, que a todos recebia e abrigava com o mesmo carinho e consideração.
Nesse contexto, o menino Marcos lembrava o pequeno príncipe, que bebia na fonte de sua mãe Creuza e do pai Adrião, a humildade e a sabedoria do homem bom.
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E foi dessa maneira que ele cresceu, cultivando amigos e plantando o melhor da vida, no início com uma rebeldia que marcou a geração dos baby boomers, influenciada que foi pela filosofia hippie e outros movimentos de contracultura.
Ele mesmo símbolo dessa geração, influenciou por sua vez quem lhe cercava com sua alegria contagiante e sua liderança natural, herança da mãe que revolucionou o comércio de João Pessoa sem nunca se render ao luxo e à ostentação.
Só sei que no decorrer da vida, cruzei com ele em diferentes momentos e chegamos a ser sócios de um jornal alternativo que fazia frente ao regime militar de então.
Tudo fruto de um acaso, do mesmo modo como ele presenciou, ao lado de Neno Rabello, o atentado que culminou com a morte de Zuzu Angel, no Rio de Janeiro, com isso se credenciando a ser testemunha ocular da história.
Não porque fosse simpatizante ou partidário, mas simplesmente porque era um homem bom e justo.
Por sermos da mesma geração, também frequentamos os mesmos lugares e chegamos a ser vizinhos por um tempo na praia do Cabo Branco, onde caminhávamos diariamente até o busto de Tamandaré.
Já existia então a Baratona, uma das suas melhores criações, que fazia pit stop nos bares,e se transformara num espetáculo à parte no carnaval de rua de João Pessoa.
O bloco, que desfila há mais de cinquenta anos unindo criatividade e luxo, agora com a sua morte, vai ser reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial do município, numa justa homenagem ao seu criador.
Também era um bom cronista, com suas tiradas de humor, e um advogado brilhante, que soube se reerguer quando não havia mais loja, mas não faltava determinação.
Era meu ídolo, e mesmo à distância acompanhei a sua trajetória e seu apego pela vida.
Agora, com certeza, deve estar fazendo falta na mesa da padaria Bonfim e na caminhada diária com seus amigos pela orla.
Mas, o melhor de tudo é que ele vai continuar vivo nos corações e mentes de quem nunca vai deixar de lhe amar, porque o homem bom não morre e nunca envelhece.
Para toda a eternidade, ele é e será sempre lembrado como o guerreiro menino da canção.

