Educação livre, juventude respeitada e limites ao poder, por Leonardo Forte

Uma democracia perde força quando o poder tenta se colocar acima das instituições e quando a liberdade de pensar passa a depender da concordância com uma ideologia. Por isso, precisamos defender, com a mesma firmeza, a independência dos poderes, a autonomia da educação e o respeito aos estudantes que pensam diferente.

O crescimento do Estado, por si só, não caracteriza fascismo. Mas a tentativa de subordinar instituições independentes, enfraquecer a fiscalização e concentrar autoridade merece uma crítica contundente. Nenhum governo, seja do PT ou de qualquer outro partido, deve tratar o Legislativo, o Judiciário ou as instituições de ensino como instrumentos de seu projeto de poder.

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Essa preocupação também alcança escolas e universidades. Professores e funcionários têm direito às suas convicções políticas. Contudo, a autoridade que exercem exige responsabilidade: não pode ser usada para pressionar estudantes a apoiar um partido, constranger opiniões divergentes ou transformar avaliações em testes de fidelidade ideológica.

Debater política, estudar a história e questionar governos fazem parte da educação. O problema surge quando o debate dá lugar à imposição; quando o aluno teme discordar; quando uma posição é apresentada como a única moralmente aceitável e seus críticos são tratados como inimigos. Uma educação comprometida com a liberdade oferece argumentos, admite perguntas e permite conclusões diferentes.

A juventude tem o direito de participar da vida pública e de se manifestar. Esse direito pertence tanto ao estudante que apoia o PT quanto àquele que o critica. Nenhum deles deve ser reduzido a instrumento de mobilização partidária. Comparações entre manifestações atuais e as marchas contra a ditadura também exigem rigor histórico: contextos diferentes precisam ser examinados com honestidade.

É igualmente necessário enfrentar o bullying motivado por divergências políticas. Quando alunos que apoiam o PT humilham, ameaçam ou perseguem colegas de outra orientação, essas condutas devem ser apuradas e interrompidas. O mesmo princípio vale para qualquer corrente política. Convicção alguma autoriza agressões, e a conduta de alguns não permite acusar todos os integrantes de um grupo.

Discordar de um colega não dá a ninguém o direito de intimidá-lo, expô-lo ao ridículo ou organizar sua exclusão. Uma escola que tolera essas práticas compromete a segurança dos estudantes e a própria liberdade que deveria ensinar.

Professores, coordenadores e gestores precisam acolher denúncias com imparcialidade, preservar os envolvidos e apurar os fatos, garantindo o direito de resposta. As críticas devem apontar episódios e condutas verificáveis. A seriedade da denúncia fortalece a cobrança por providências.

Minha crítica ao PT é política e deve ser sustentada por seus atos. Minha defesa da liberdade, porém, vale para todos. Exigir limites ao poder, rejeitar a pressão partidária na educação e proteger quem pensa diferente são compromissos que precisam permanecer, independentemente de quem governa.

O Brasil precisa de jovens capazes de questionar inclusive aqueles com quem concordam. Precisa de educadores que inspirem autonomia e de instituições que cumpram seu papel com independência.

A democracia se fortalece quando ninguém precisa ter medo de pensar, discordar ou dizer aquilo em que acredita.

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