É hora de mudar a estratégia, por Rui Leitão

Comprovante votação

Subestimaram a força que ainda existe no BOLSONARISMO. Esse foi, a meu ver, um dos principais erros do primeiro turno. Houve também uma avaliação equivocada sobre Flávio Bolsonaro. Acreditou-se que o eleitorado enxergaria naturalmente suas limitações políticas e sua trajetória. Não se foi, portanto, para o enfrentamento necessário, mostrando com clareza quem é o candidato, quais são suas posições e quais riscos representam para o Brasil as ideias que defende. O resultado das urnas mostrou que essa estratégia precisa mudar. Foi uma pancada que não esperavamos. Doeu, mas a dor já está diminuindo aos poucos. Porque precisamos estar firmes e fortes. Agora é hora de partir para a ação.

O segundo turno exige uma campanha mais direta, mais pedagógica e mais incisiva. É preciso apresentar ao eleitor, com fatos, declarações, posições políticas e histórico público, quem é Flávio Bolsonaro. É preciso confrontar suas propostas, suas posições sobre democracia, soberania nacional, relações internacionais e políticas sociais. E, quando houver acusações ou suspeitas documentadas, elas precisam ser apresentadas com responsabilidade, com fatos e fontes, para que o eleitor possa formar seu próprio julgamento.

Não se trata de alimentar o ódio ou de transformar a campanha numa guerra de agressões. Trata-se de tirar o debate do terreno das imagens construídas pelo marketing e colocá-lo no terreno dos fatos.

E há uma questão fundamental: os votos dos demais candidatos não pertencem automaticamente a Flávio Bolsonaro. São votos de brasileiros que fizeram outras escolhas no primeiro turno. A abstenção também representa milhões de eleitores que não participaram da votação. O segundo turno começa, portanto, com uma nova disputa, na qual cada candidatura terá de convencer novamente o eleitor.

A diferença do primeiro turno foi pequena: 1,87 ponto percentual. Isso não autoriza euforia nem permite prever o resultado. Mas demonstra que a disputa está aberta e que cada voto será decisivo.

Nos debates, Lula tem uma experiência política acumulada durante décadas. Terá a oportunidade de confrontar o adversário diretamente, questionar suas propostas, recuperar sua trajetória e mostrar ao eleitor as diferenças entre os dois projetos de país.

Por isso, este não é o momento de desânimo. É o momento de corrigir erros, mudar a estratégia e ir para a rua conversar com o eleitor. Sem arrogância. Sem subestimar ninguém. Sem acreditar que determinadas parcelas da população votarão necessariamente de determinada maneira.

Lula conhece a derrota. Já enfrentou momentos em que muitos diziam que sua trajetória política havia chegado ao fim. E também conhece a vitória construída com persistência, organização e capacidade de recomeçar. O resultado de ontem não encerrou a disputa. Abriu uma nova etapa.

E o próprio Lula, depois da votação, deu o tom que a campanha precisa seguir: em vez de procurar culpados ou lamentar o resultado, convocou seus apoiadores para a luta. É isso que precisa ser feito agora.

Com serenidade, mas sem acomodação. Com esperança, mas sem ingenuidade. Com firmeza, mas sem ódio. Com disposição para enfrentar o debate e convencer aqueles que ainda estão indecisos.

A eleição continua. E, a partir de agora, cada voto precisa ser conquistado.

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