Há mais de quarenta anos o Brasil denuncia a corrupção, e ela continua aí, por Leonardo Forte

Há mais de quarenta anos o Brasil denuncia a corrupção
Por Leonardo Forte

Em 1982, Mário Barros Júnior publicou o livro “A Fantástica Corrupção no Brasil: Mordomias, Sinecuras, Peculato e os Cidadãos Acima da Lei”.

Três anos depois, em 1985, Francisco Oliveira lançava “O Roubo é Livre”.

As duas obras denunciavam problemas diferentes em sua forma, mas idênticos em sua essência.

Mário Barros Júnior expunha as mordomias sustentadas pelo dinheiro público, os privilégios concedidos a determinadas castas, os cargos sem utilidade real, o peculato e a existência de pessoas que pareciam viver acima da lei.

Francisco Oliveira, por sua vez, mergulhava no universo das fraudes bancárias, da evasão de divisas, dos esquemas financeiros, das irregularidades em operações de exportação, das manobras utilizadas para transferir riquezas para grupos privilegiados e das fragilidades da fiscalização estatal.

Os dois autores apontavam para uma mesma conclusão: o problema não estava apenas nos indivíduos.

O problema estava na existência de estruturas que permitiam que privilégios, desvios e impunidade se perpetuassem ao longo do tempo.

“O Roubo é Livre” mostrava como mecanismos financeiros sofisticados podiam retirar recursos da economia nacional sem que a população sequer compreendesse o tamanho do prejuízo. O autor descrevia operações envolvendo instituições financeiras, esquemas de movimentação de capitais, evasão de recursos para o exterior e práticas que contribuíam para enfraquecer a economia brasileira enquanto beneficiavam poucos.

Já “A Fantástica Corrupção no Brasil” denunciava outra face do mesmo problema: o uso da máquina pública para sustentar privilégios, favorecer interesses particulares e criar uma realidade na qual alguns pareciam protegidos pela própria estrutura do poder.

Mais de quarenta anos depois, a sensação é desconfortável.

Mudaram os nomes.

Mudaram os governos.

Mudaram as moedas.

Mudaram os partidos.

Mas a indignação continua a mesma.

A corrupção continua roubando recursos que deveriam financiar hospitais, escolas, saneamento, infraestrutura e segurança.

A evasão de recursos continua prejudicando investimentos.

Os privilégios continuam revoltando a população.

E a sensação de impunidade continua corroendo a confiança dos cidadãos nas instituições.

O mais impressionante é que o Brasil não sofre por falta de diagnóstico.

Os alertas foram feitos.

Os livros foram escritos.

As denúncias foram publicadas.

As investigações aconteceram.

As provas apareceram.

O que continua faltando é a capacidade de transformar indignação em mudança permanente.

Quando olhamos para as obras de Mário Barros Júnior e Francisco Oliveira, percebemos que elas não são apenas livros sobre corrupção.

São documentos históricos que demonstram que o Brasil conhece seus problemas há décadas.

A pergunta que permanece sem resposta é outra:

Se sabemos há mais de quarenta anos onde estão os problemas, por que ainda não conseguimos resolvê-los?

Leonardo Forte!

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