O caso da escola de samba começou com forte repercussão nas primeiras horas. Houve defesa, houve apoio e, em determinados grupos, o efeito inicial foi positivo. A crítica direta ao Lula não encontrou o volume esperado. Não gerou a mobilização suficiente para escalar sozinha.
É aí que acontece a virada estratégica. Quando o ataque direto não mobiliza, muda se o enquadramento. Em vez de mirar o presidente, parte da direita encontrou um ponto muito mais sensível. Família. Valores. Conservadorismo. A discussão deixou de ser sobre Carnaval e passou a ser sobre identidade.
O trend das latinhas surge nesse momento como símbolo perfeito. Simples. Replicável. Emocional. Colocar a foto da família e afirmar que ela é conservadora não é sobre latinha. É sobre pertencimento. É sobre sinalização pública de valores. E identidade mobiliza mais do que argumento.
No Brasil hiperconectado de hoje, comunidades conservadoras e cristãs têm alta capacidade de amplificação. Em poucas horas, um símbolo bem escolhido pode gerar escala nacional. Emoção gera engajamento. Engajamento gera volume. Volume cria percepção de força.
O que vimos não foi apenas uma reação cultural. Foi uma reconfiguração de narrativa. Quando uma pauta não escala, busca se outra que ativa emoção coletiva. Quem entende o digital entende isso. Pauta não é só o fato. Pauta é o símbolo que consegue mobilizar.