A verdade inquestionável é que os grandes homens não morrem. Ao desaparecerem fisicamente do nosso convívio, permanecem vivos na memória coletiva como referências morais e políticas. Completam-se cinco anos do falecimento do ex-governador José Maranhão. Fui um dos que tiveram o privilégio de conviver com esse que foi, sem dúvida, um dos mais respeitados e vitoriosos políticos da história da Paraíba. Recebi dele a confiança para exercer funções públicas nas ocasiões em que ocupou o Governo do Estado — e essa confiança, para mim, sempre foi mais que um gesto político: foi uma lição de vida pública.
Lembro-me de sua postura serena nas reuniões de governo, do cuidado com que ouvia técnicos e auxiliares, da preocupação constante em conciliar responsabilidade administrativa com sensibilidade social. Maranhão tinha o raro dom de decidir sem humilhar, de discordar sem agredir, de liderar sem impor. Em tempos de política ruidosa e agressiva, sua forma de conduzir o poder parecia quase anacrônica..
Aprendi com ele que o poder não é um fim em si mesmo, mas um instrumento de serviço. Aprendi que a política pode ser exercida com decência, sem abrir mão da firmeza, do diálogo e do respeito às instituições. Em um ambiente muitas vezes dominado pelo pragmatismo sem princípios, ele fazia da ética um método de governo, não um discurso ocasional.
A sua história de vida não se apaga com o tempo. Ao longo de sua trajetória, demonstrou plena consciência do dever público nas missões que lhe foram confiadas pela população paraibana. Governou com competência, espírito público e abnegação, sem perder o vínculo com o povo simples, que sempre reconheceu nele um líder acessível, atento às demandas sociais e avesso ao personalismo excessivo.
O dia 6 de fevereiro deixou de ser apenas uma data de saudade para se transformar em um marco de reflexão. A memória de José Maranhão nos lembra que é possível exercer o poder com grandeza, sem recorrer ao populismo fácil, ao autoritarismo ou ao oportunismo de ocasião. A boa política que ele praticou — baseada no diálogo, na responsabilidade fiscal, na institucionalidade e na sensibilidade social — precisa ser resgatada como referência para as novas gerações.
Há uma frase, de autoria desconhecida, que sintetiza bem a memória dos grandes homens: “Ídolos não morrem, viram lendas”. Ao passar para outra dimensão, José Maranhão, entre nós, tornou-se imortal. Guimarães Rosa já dizia que “o mundo é mágico: as pessoas não morrem, ficam encantadas… a gente morre é para provar que viveu”. Maranhão viveu intensamente a vida pública e deixou uma herança de honradez, respeitabilidade e grandeza de espírito.
A melhor forma de homenageá-lo é seguir adiante com a obra que ele iniciou, reafirmando o compromisso com a democracia, com a ética e com o povo paraibano. Em tempos de crise de valores, lembrar José Maranhão é, acima de tudo, um ato de resistência cívica.